GASTOS BILIONÁRIOS REVELADOS

STF aponta esquema de luxo no caso Banco Master

Fachada do Banco Master, banco investigado na Operação Compliance Zero
Imagem colorida do Banco Master

Operação Compliance Zero expõe movimentações financeiras de R$ 18,85 milhões e aquisição de helicóptero de R$ 16,4 milhões. Indícios de lavagem de dinheiro com viagens e hotéis de luxo.

Em uma ação que escancara a magnitude de um suposto esquema financeiro ilícito, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, a deflagração da quinta fase da Operação Compliance Zero. A decisão judicial mira suspeitas de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, com foco no Banco Master e no núcleo empresarial do banqueiro Daniel Vorcaro. Esta nova etapa da investigação expõe a sociedade a uma dimensão de valores bilionários que, se confirmados, corroem a confiança nas instituições e a dignidade do cidadão comum.

Documentos analisados pelo STF descrevem uma intricada teia de movimentações milionárias, repasses financeiros periódicos, aquisições societárias consideradas subfaturadas, viagens internacionais de luxo e operações patrimoniais complexas. Segundo os investigadores da Polícia Federal, essas transações podem ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro e ocultação de recursos, desvirtuando o propósito do Sistema Financeiro Nacional.

Entre os dados alarmantes, a investigação detalha a aquisição de participação societária na Green Investimentos S.A. pela empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., ligada ao irmão do senador Ciro Nogueira. A operação, registrada em aproximadamente R$ 13 milhões, é vista pela PF como um valor muito aquém do preço real de mercado das ações negociadas, levantando questionamentos sobre a legalidade da transação.

A apuração ainda aponta pagamentos mensais recorrentes associados à “parceria BRGD/CNLF”. Conversas interceptadas entre integrantes do grupo investigado indicam repasses de cerca de R$ 500 mil por mês, sugerindo um fluxo contínuo de recursos sem aparente justificativa lícita.

Outra medida relevante autorizada pelo STF é o bloqueio judicial de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores vinculados aos investigados. Essa ação preventiva visa impedir a ocultação patrimonial e assegurar um eventual ressarcimento aos cofres públicos no futuro, caso as acusações se comprovem.

A Polícia Federal também destaca movimentações financeiras de empresas investigadas que, na visão do ministro André Mendonça, exibem “discrepância entre faturamento declarado, estrutura operacional inexistente ou mínima e o volume de recursos movimentados”. Essa incoerência reforça os indícios de que tais estruturas seriam fachadas para atividades ilícitas.

Adicionalmente às operações empresariais, a decisão menciona gastos pessoais luxuosos, incompatíveis com a estrutura formal declarada pelas empresas analisadas. A investigação rastreou hospedagens em hotéis de alto luxo como o Park Hyatt New York, frequentes deslocamentos internacionais, despesas em restaurantes sofisticados e o uso de aeronaves ligadas ao grupo empresarial investigado.

A análise da PF também abrange operações envolvendo empresas como BRGD Participações, Green Energia FIP e Green Investimentos S.A., que, segundo os agentes, foram empregadas em reorganizações societárias e na circulação financeira com o objetivo de ocultar patrimônio.

Um helicóptero, prefixo PS-MAS, adquirido por cerca de R$ 16,4 milhões por uma empresa de táxi aéreo da qual Daniel Vorcaro foi sócio até setembro de 2025, figura entre os bens sob análise. A aeronave aparece em registros de voos investigados, somando-se ao rol de bens de alto valor que despertaram a atenção das autoridades.

A decisão aponta indícios de estratégias complexas para a movimentação de recursos, incluindo o uso de contratos paralelos, depósitos fracionados, circulação de dinheiro em espécie e a criação de estruturas empresariais sem atividade econômica efetiva, tudo para driblar a fiscalização e os órgãos de controle. Com base em todos esses elementos, o Supremo Tribunal Federal autorizou as buscas, prisões temporárias e medidas patrimoniais que marcam a quinta fase da Operação Compliance Zero, buscando trazer à luz a verdade por trás dessas intrincadas operações financeiras.

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