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STF, AGU e MJ discutem resposta do Brasil a processo contra Alexandre de Moraes nos EUA

Retrato do Ministro Alexandre de Moraes em evento do STF.
Alexandre de Moraes durante julgamento da Primeira Turma do STF sobre os acusados de mandar matar Marielle Franco — Foto: Mateus Bonomi/Reuters

A Presidência do STF, a AGU e o Ministério da Justiça analisam como o país deve se posicionar diante da notificação do ministro Alexandre de Moraes em processo movido nos Estados Unidos por plataformas de vídeo.

A Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça (MJ) iniciaram discussões sobre uma resposta coordenada do Brasil. A movimentação ocorre após a Justiça dos Estados Unidos autorizar a notificação do ministro Alexandre de Moraes em um processo judicial aberto contra ele em território norte-americano.

O advogado Martin De Luca, representante da plataforma Rumble e da Trump Media & Technology Group, informou que Alexandre de Moraes foi notificado sobre o processo judicial por e-mail nesta segunda-feira, 25/05/2026.

As empresas, que trouxeram o caso à Justiça norte-americana, buscam reverter ordens de restrição e bloqueio emitidas pelo magistrado brasileiro. Elas sustentam que tais determinações configuram censura e violam garantias constitucionais dos Estados Unidos.

A avaliação no Supremo Tribunal Federal é de que a situação envolve cooperação internacional. Dado que a ação tramita nos EUA e envolve uma empresa associada ao presidente Donald Trump, torna-se essencial um diálogo que inclua a AGU e o MJ. O objetivo é identificar os instrumentos jurídicos e diplomáticos mais adequados para a situação.

A lei brasileira estabelece que um magistrado não responde pessoalmente por decisões judiciais tomadas no exercício regular de suas funções, como é o caso das determinações questionadas pelas plataformas. A responsabilidade pessoal do juiz é prevista apenas em situações excepcionais, como em caso de dolo, fraude ou omissão injustificada de providências devidas.

A Constituição Federal, por sua vez, prevê a responsabilidade objetiva do Estado pelos danos causados por seus agentes. Em março de 2026, em decisão sigilosa, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido para cumprir uma carta rogatória dos Estados Unidos que visava intimar Alexandre de Moraes. Na ocasião, o STJ considerou que a legislação não autorizava a medida, pois o ministro atuou estritamente no exercício de sua função. A notificação por e-mail, autorizada pela Justiça da Flórida e efetuada nesta segunda-feira (25), contudo, contraria essa decisão, configurando um procedimento fora do trâmite diplomático tradicional. A Justiça norte-americana acatou o pedido das plataformas sob o argumento de que o modelo diplomático está paralisado no Brasil, buscando, com o envio do documento por e-mail, destravar o andamento do processo.

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