BILHÕES EM JOGO

STF adia conciliação sobre royalties do petróleo antes de julgamento

Plenário STF vazio
Plenário STF vazio

Encontro foi retirado da pauta às vésperas de decisão que definirá partilha de R$ 117 bilhões entre Estados e municípios.

O Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) do Supremo Tribunal Federal (STF) cancelou, nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, a audiência de conciliação que discutia a redistribuição dos royalties do petróleo. A decisão, assinada pelo juiz Álvaro Ricardo de Souza Cruz, ocorreu devido à proximidade do julgamento do mérito no plenário da Corte, agendado para o dia 6 de maio de 2026, e impacta diretamente a divisão de bilhões em recursos que moldam o futuro de Estados e municípios brasileiros, afetando serviços públicos essenciais e investimentos. ![Plenário STF vazio](https://static.poder360.com.br/2026/04/Plenario-vazioSTF-1080-848x477.png) Esta audiência, que estava agendada para o próximo dia 5 de maio, foi retirada do cronograma. O julgamento principal trata da compensação financeira de empresas exploradoras de petróleo à União e a consequente distribuição a Estados e municípios, um debate que se arrasta há anos e mobiliza diversos setores da sociedade. O encontro de conciliação visava formalizar acordos baseados em propostas apresentadas pelo Codesul (Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul), pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) e pelo Estado do Espírito Santo. O processo pré-conciliatório já havia somado 33 reuniões técnicas, indicando a viabilidade de um consenso antes da suspensão. No cerne da divergência está a Lei 12.734 de 2012, que modificou os critérios de partilha dos royalties e das participações especiais na exploração de óleo e gás. Esta norma pretendia ampliar a fatia destinada a Estados e municípios não produtores, mas está suspensa desde 2013 por uma decisão liminar concedida pela ministra Cármen Lúcia. O julgamento iminente definirá a validade e aplicação desta lei. Atualmente, a CNM e um grupo de 19 Estados não produtores de petróleo e gás articulam a validação da lei, defendendo uma distribuição mais equitativa dos recursos nacionais. Em contrapartida, Estados produtores – como Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo – lutam para manter o modelo vigente, argumentando sobre o grave risco fiscal e o impacto devastador que uma mudança abrupta causaria em suas economias e na capacidade de oferecer serviços à população. Em um movimento crucial para o Rio de Janeiro, a OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil no Estado do Rio) solicitou ao Supremo a inclusão de uma nota técnica da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) no processo. Este documento, vital para o debate, detalha projeções alarmantes. Caso a lei estivesse em vigor entre os anos de 2020 e 2025, o Estado do Rio teria deixado de arrecadar R$ 48,3 bilhões, enquanto as prefeituras fluminenses teriam perdido outros R$ 68,7 bilhões no mesmo período. Tais perdas, que somam R$ 117 bilhões, representariam um golpe profundo na economia e na oferta de serviços públicos fluminenses. O documento pode ser lido na íntegra [PDF – 50MB]. A Firjan destaca que os royalties compõem 21,8% da receita total do Rio de Janeiro e que a alteração na partilha concentraria os custos ambientais e sociais da extração nos produtores sem a devida contrapartida financeira. Esta é uma questão de dignidade e justiça para milhões de cidadãos que dependem desses recursos para o funcionamento de hospitais, escolas e infraestrutura. Nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, o governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro, foi a Brasília para tratar do tema. Ele se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o ministro do STF Luiz Fux. O objetivo dessas reuniões foi reforçar a preocupação com o impacto econômico severo que uma decisão desfavorável no plenário da Corte pode causar ao Estado, buscando sensibilizar as autoridades para a urgência e a dimensão social do problema.

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