IA CONTRA O CRIME

Startup Pax capta R$ 200 milhões com IA para reduzir crimes e acelerar elucidações

Representação gráfica de rede neural conectando dados e imagens para análise de segurança.
Plataforma de IA da Pax integra dados e câmeras para auxiliar forças de segurança pública.

Recursos da rodada seed, uma das maiores na América Latina, serão usados para expandir atuação da plataforma em forças de segurança pública no Brasil. Impacto real na segurança e dignidade.

A startup brasileira Pax anunciou nesta terça-feira, 16/06/2026, a captação de R$ 200 milhões (US$ 40 milhões) em uma rodada seed liderada pelos fundos Greenoaks e Benchmark. A operação, uma das maiores já realizadas nesse estágio na América Latina, visa impulsionar a aplicação de inteligência artificial (IA) no combate à criminalidade no Brasil.

A empresa desenvolve uma plataforma de IA voltada às forças de segurança pública. Os recursos serão empregados para ampliar sua atuação, especialmente em um cenário de maior seletividade no mercado de venture capital. Fernando Czapski, cofundador da Pax, destacou que a dimensão do aporte reflete a magnitude do problema social que a Pax busca solucionar.

“A inteligência artificial é uma tecnologia poderosa e deveria ser usada para nos ajudar a resolver os grandes problemas da humanidade. No Brasil, segurança pública é o maior deles”, declarou Czapski em entrevista ao CNN Money. Ele ressaltou que os investidores apostaram na sinergia entre a missão da empresa e a capacidade técnica de sua equipe, composta por engenheiros brasileiros com experiência em empresas globais como Google, Meta e Uber. “O investimento foi expressivo porque o impacto é gigante e, onde existe impacto desse tamanho, também há uma grande oportunidade de negócio”, explicou.

A plataforma da Pax integra câmeras, registros policiais e bases criminais em um sistema unificado. Ao cruzar informações sobre pessoas, veículos, locais e ocorrências em tempo real, a tecnologia gera alertas e pistas investigativas, agilizando o trabalho policial e elevando a sensação de segurança. “É o ChatGPT da polícia”, comparou Czapski, enfatizando a capacidade de conectar informações do mundo real para apoiar o trabalho policial.

Em sua primeira implantação em larga escala, em Luziânia (GO), a plataforma foi associada à redução de 27% dos crimes prioritários, como homicídios, roubos e furtos, em apenas seis meses. No mesmo período, a taxa de elucidação de crimes dobrou e a sensação de segurança da população aumentou 59%, segundo dados citados pela empresa. Ao longo do último ano, a tecnologia auxiliou as forças de segurança a esclarecerem mais de 2 mil casos criminais em mais de 30 cidades brasileiras.

Czapski projetou que a redução de 27% dos crimes, observada em Luziânia, poderia significar 2,7 milhões de crimes a menos anualmente no Brasil, um impacto massivo. Ele reiterou que a Pax não busca crescimento a qualquer custo, mas sim a geração de resultados concretos e a sustentabilidade em cada nova implementação. A empresa atua com governos estaduais e municipais.

O custo do crime e da violência no Brasil equivale a cerca de 6% do PIB, ultrapassando R$ 760 bilhões por ano, conforme dados do Ipea. Czapski vê a integração de dados como a principal oportunidade no setor, com a IA sendo a tecnologia ideal para resolver o problema da análise e organização da informação na investigação policial.

A startup, fundada por David Peixoto e com profissionais formados em instituições renomadas como Stanford, Harvard, MIT, ITA e USP, além de ex-funcionários de gigantes da tecnologia, almeja ser a melhor empresa de IA para segurança pública do mundo. A intenção é expandir a atuação no Brasil e, futuramente, replicar o modelo em outros mercados globais.

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