INVESTIMENTOS BLOQUEADOS

Setor de energia aguarda portaria para destravar investimentos em armazenamento por baterias

Imagem ilustrativa de uma rede de transmissão de energia elétrica.
Rede de transmissão de energia elétrica.

Portaria do Ministério de Minas e Energia definirá regras para leilão de reserva de capacidade com uso de baterias. Expectativa é de que a medida seja publicada nas próximas semanas.

O setor de armazenamento de energia, fundamental para a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), aguarda a publicação de uma portaria pelo Ministério de Minas e Energia (MME). A medida definirá as regras para o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), que visa a contratação de sistemas de armazenamento por baterias. A intenção é garantir a disponibilidade de energia em momentos de menor geração de outras fontes, como a hidrelétrica, eólica e solar, impactando diretamente a segurança energética do país.

Enquanto a portaria não é publicada, participantes do mercado relatam um expressivo represamento de investimentos. Gigantes da tecnologia, como a Huawei, fabricante de equipamentos para sistemas de armazenamento por baterias (Bess, na sigla em inglês), e companhias com capacidade de operar tais sistemas, esperam o sinal verde do MME para iniciar projetos de infraestrutura. A conexão desses sistemas ao SIN é vista como uma forma de complementar a geração existente e otimizar o uso dos recursos energéticos nacionais.

A comunidade empresarial do setor de baterias, embora reconheça avanços em 2024, expressa frustração com a demora na consolidação da portaria, prevista inicialmente para 2025. Fábio Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), alerta que a realização do leilão, pautado para junho na agenda do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), torna-se inviável se a portaria não for publicada em maio. O prazo mínimo para efetivação do leilão é de cinco a seis meses após a publicação da portaria, o que comprometeria sua realização ainda na atual gestão.

Em um evento realizado em Brasília no fim de abril, o setor buscou atualizações sobre o cronograma de implantação da tecnologia. André Perim, diretor substituto do departamento de planejamento e outorga de geração do MME, indicou que a etapa de conclusão da portaria poderia ocorrer "nas próximas semanas", reacendendo a esperança por um desfecho positivo para destravar investimentos e fortalecer a matriz energética brasileira com novas tecnologias de armazenamento.

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