SAÚDE PRECARIZADA RN

Sesap ignora prazo e raio-x quebrado afeta pacientes em Parnamirim

Sesap ignora prazo e raio-x quebrado afeta pacientes em Parnamirim

Problema no Hospital Regional Deoclésio Marques dura mais de um mês, com pacientes forçados a pagar R$ 130 por exames ou viajar para Macaíba.

Pacientes que buscam atendimento no Hospital Regional Deoclésio Marques, em Parnamirim, na Grande Natal, enfrentam a quebra do equipamento de raio-x da unidade, que prejudica diagnósticos essenciais há pelo menos um mês. A situação, que obriga os usuários a buscarem serviços particulares ou em outras cidades, revela a fragilidade do sistema de saúde e impacta diretamente a dignidade e o bem-estar da população que depende do SUS. A Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap) reconheceu o problema, mas não estabeleceu um prazo para a solução, prometendo apenas o encaminhamento de pacientes para o Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, em Macaíba.

A reportagem do BNews Natal ouviu funcionários, que preferiram não se identificar, e confirmou que o aparelho de raio-x, ou parte essencial de seu sistema, como a impressão de exames, está com defeito, afetando o atendimento desde o final de março de 2026. A operadora de caixa, Silvana Dioniso, uma das acompanhantes entrevistadas nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, compartilhou a angústia de ter que buscar alternativas para o diagnóstico de seu marido. "Meu marido fraturou a clavícula, mas como aqui o raio-x não está funcionando e ele precisa apresentar para o médico hoje, a gente teve que fazer particular para poder chegar aqui e já mostrar", relatou Silvana, expondo o custo inesperado para a família.

Ela ainda reforçou a recorrência do problema: "Aqui não está fazendo esse serviço já faz mais de um mês. Meu marido foi internado e não fez, porque não tinha raio-x. Aí a gente já trouxe do outro hospital o resultado do trauma dele." A servidora pública, Ceiça Góis, também lamentou a situação. "Sem o raio-x, a dificuldade fica o quê? É que para o médico dar um laudo, tem que ter todos os exames, que ele vai fazer uma bateria de exames, então sem o raio-x fica difícil", justificou, apontando o atraso no processo de cura e a incerteza que a falta do equipamento gera.

Em nota, a Sesap, Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN, informou que, conforme a direção do hospital, os pacientes são encaminhados para o Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, localizado em Macaíba. A secretaria garantiu que o atendimento ocorre "sem intercorrências ou prejuízos". Contudo, essa solução paliativa não resolve o problema central e impõe um deslocamento adicional aos pacientes, muitos deles em condições de saúde delicadas.

Apesar da promessa de que "o problema no raio-x já está sendo providenciado e deve retornar ao funcionamento normal assim que for resolvido", a Sesap não forneceu à reportagem um prazo específico para a resolução. A ausência de uma data concreta mantém a incerteza e a necessidade de buscar exames fora do hospital, gerando despesas adicionais e transtornos. Silvana Dioniso, por exemplo, mencionou que, após o pós-cirúrgico, seu marido precisará de novo raio-x em Macaíba ou, novamente, pagar pelo serviço. "Foi 130 reais. Um gasto a mais que não estava previsto no orçamento e fora a medicação que tem que tomar também", desabafou, evidenciando o impacto financeiro direto na vida dos usuários do SUS.

Enquanto a Sesap não apresenta uma solução definitiva e com prazo, os pacientes do Hospital Regional Deoclésio Marques permanecem sem o acesso essencial aos exames de imagem, com um equipamento quebrado que compromete a agilidade e a eficácia de seus tratamentos.

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