CAATINGA PRESERVADA HOJE

Serra das Araras vira maior santuário de CAATINGA do RN

Vista aérea da SERRA DAS ARARAS no RIO GRANDE DO NORTE, mostrando densa vegetação da CAATINGA e paisagem montanhosa.
MAIOR área protegida de CAATINGA do RN é criada para salvar aves ameaçadas de extinção — FOTO: ILTON ARAÚJO SOARES

O Refúgio de Vida Silvestre, oficializado em 28 de abril de 2026, protege 12.367 hectares e 10 espécies endêmicas. Fundamental para o birdwatching e recursos hídricos.

O Governo do RIO GRANDE DO NORTE instituiu, em 28 de abril de 2026, o REFÚGIO DE VIDA SILVESTRE (REVIS) SERRA DAS ARARAS, transformando uma vasta área do interior potiguar na MAIOR unidade de conservação da CAATINGA do estado. A decisão, oficializada no DIA NACIONAL DA CAATINGA, protege 12.367 hectares de BIODIVERSIDADE única, crucial para a sobrevivência de aves ameaçadas de extinção e para a preservação de nascentes vitais que abastecem a bacia do RIO POTENGI, garantindo um futuro mais sustentável para a região.

A nova unidade de proteção integral, pertencente à categoria prevista pelo SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC), abrange os municípios de CERRO CORÁ, SÃO TOMÉ e CURRAIS NOVOS. Ela foi criada com o foco em preservar a fauna, a flora e os ecossistemas naturais, um modelo essencial para a manutenção da vida silvestre.

ILTON ARAÚJO SOARES, supervisor de UNIDADES DE CONSERVAÇÃO do INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE DO RIO GRANDE DO NORTE (IDEMA), explicou que a escolha de 28 de abril de 2026 para a oficialização foi simbólica, visando a destacar a importância inestimável do bioma. O processo de criação do REVIS começou em junho de 2023, resultado de quase três anos de estudos coordenados pelo IDEMA em parceria com pesquisadores da UFRN e do INSTITUTO SERIDÓ VIVO.

BIODIVERSIDADE e floresta rara: um tesouro potiguar

A SERRA DAS ARARAS se destaca não apenas pela sua dimensão territorial, mas principalmente pelo excepcional estado de conservação da sua vegetação. Em uma região historicamente afetada pelo desmatamento da CAATINGA – um cenário desafiador para o bioma em diversos estados brasileiros –, a área resguarda trechos raros de floresta nativa.

“É uma das poucas regiões do estado onde existe floresta de CAATINGA. ESSE bioma hoje é caracterizado por ter uma vegetação arbustiva espaçada. Porém, nessa região a gente tem árvores de CAATINGA de 5, 7, 10 metros de altura”, detalhou ILTON, evidenciando a singularidade e a riqueza ecológica do local.

OS estudos técnicos revelam que a região concentra uma das MAIORES BIODIVERSIDADES do estado. Até o momento, pesquisadores registraram uma impressionante variedade de espécies:

  • 232 espécies de aves;
  • 126 espécies de plantas;
  • 18 espécies de peixes;
  • 17 espécies de mamíferos;
  • 16 espécies de anfíbios e répteis;
  • 6 espécies de morcegos.

Entre as aves catalogadas, dez são endêmicas da CAATINGA, existindo exclusivamente nesse bioma. Outras se encontram em diferentes níveis de ameaça de extinção, incluindo espécies classificadas como criticamente ameaçadas, como o MARACANÃ-VERDADEIRO (Primolius maracana) e o jacurutu (Bubo virginianus).

REFÚGIO para araras e papagaios raros

DUAS aves em particular impulsionaram a criação da unidade: o próprio MARACANÃ-VERDADEIRO (TAMBÉM chamado de arara-maracanã) e o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva).

De acordo com ILTON, pesquisas da UNIVERSIDADE FEDERAL do RIO GRANDE DO NORTE (UFRN) estimam que existam apenas cerca de 50 indivíduos da arara-maracanã em todo o estado do RN, todos concentrados precisamente nesta nova área protegida. O papagaio-verdadeiro, classificado como espécie em perigo de extinção, TAMBÉM é motivo de grande preocupação, com aproximadamente 300 indivíduos estimados em todo o estado.

Com a criação da unidade, o foco agora se volta para a fiscalização rigorosa e o monitoramento contínuo das espécies ameaçadas. ILTON ressalta que a caça e a captura ilegal de aves ainda representam problemas persistentes na região, especialmente para a arara-maracanã, que frequentemente se torna alvo do tráfico de animais silvestres.

ALÉM da importância para a fauna, o REVIS SERRA DAS ARARAS protege nascentes, riachos e poços perenes que integram a bacia hidrográfica do RIO POTENGI, um recurso hídrico considerado estratégico para a região semiárida potiguar, garantindo o abastecimento essencial para a população e a BIODIVERSIDADE.

Turismo de observação de aves: nova rota no RN

O governo estadual vislumbra um futuro promissor para o turismo na nova unidade. Dada a impressionante diversidade de espécies registrada, o REVIS SERRA DAS ARARAS está posicionado para incentivar o turismo de observação de aves, popularmente conhecido como birdwatching, uma atividade em crescente expansão no Brasil e no exterior.

“A ideia é colocar o RIO GRANDE DO NORTE na rota do turismo de observação de aves”, destacou ILTON, sublinhando o potencial de descentralizar o turismo potiguar, que atualmente se concentra majoritariamente no litoral, com suas praias visadas por turistas brasileiros e estrangeiros, a exemplo da Praia de PIPA, no município de TIBAU DO SUL.

A presença de espécies raras certamente influenciará a escolha de destino DOS observadores. No local, podem ser encontradas aves como:

  • marreca-caucau (Nomonyx dominicus)
  • pato-do-mato (Cairina moschata)
  • pararu-azul (Claravis pretiosa)
  • bacurau-da-telha (Hydropsalis longirostris)
  • rabo-branco-rubro (Phaethornis ruber)
  • saracura-do-mangue (Aramides mangle)
  • suiriri-cinzento (Suiriri suiriri)

ILTON finalizou: “A região representa uma importante área para conservação de aves no NORDESTE do Brasil, devido à alta riqueza encontrada, à presença de espécies endêmicas, ameaçadas e com necessidades de conservação, ALÉM de registros que ampliam a distribuição de espécies pouco conhecidas no semiárido brasileiro e de outras que promovem equilíbrio e serviços ambientais para os moradores locais.”

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