INTERESSE ECONÔMICO

Senador Nelsinho Trad alerta que classificação de PCC e CV como terroristas não pode ser atalho para EUA explorarem terras raras brasileiras

Senador Nelsinho Trad (PSD-MS) em evento no Senado.
Senador Nelsinho Trad (PSD-MS) é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Nelsinho Trad (PSD-MS) pede cautela para que cooperação contra o crime organizado não abra portas para exploração de reservas de terras raras. EUA possuem interesse estratégico nesses minerais.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), alertou nesta segunda-feira (8/6) que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos não deve ser utilizada como um "atalho ou subterfúgio" para interesses estrangeiros na exploração das reservas brasileiras de terras raras. A declaração, feita ao Metrópoles, visa garantir que a cooperação bilateral em segurança pública não comprometa a soberania nacional.

O senador, que também preside a Frente Parlamentar em Defesa das Terras Raras, expressou preocupação com a possibilidade de facilitação de entrada de agentes estrangeiros no Brasil sob o pretexto do combate ao crime organizado. "É preciso ter muito cuidado para que essa cooperação não sirva de atalho ou subterfúgio para a exploração de outras questões que não estejam relacionadas à segurança pública", afirmou Trad. Ele enfatizou a importância de procedimentos regulares de controle e verificação para qualquer entrada no país, especialmente devido à relevância estratégica das reservas brasileiras.

O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, um conjunto de minerais essenciais para a produção de tecnologias avançadas, como eletrônicos e equipamentos de defesa. Os Estados Unidos têm demonstrado crescente interesse nessas reservas, o que reforça a necessidade de cautela apontada pelo senador. A entrada de agentes estrangeiros no país, segundo Nelsinho Trad, deve sempre observar os trâmites legais e transparentes para garantir que as motivações sejam legítimas e não explorem a necessidade de cooperação em segurança.

Apesar das ressalvas, Nelsinho Trad reiterou o apoio à colaboração entre Brasil e Estados Unidos no combate a organizações criminosas. "Ninguém quer passar a mão sobre malfeitos ou bandidos. Imagino que, se essa cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área da segurança pública for destinada a uma atuação conjunta contra organizações criminosas, ela é bem-vinda", declarou. Ele destacou que a cooperação mais eficaz se concentraria no compartilhamento de inteligência, no uso de inteligência artificial para a segurança pública e no aprimoramento do controle de fronteiras, áreas onde a tecnologia é fundamental.

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