DECISÃO CRÍTICA
Senador Flávio Bolsonaro participará de audiência sobre tarifas dos EUA
O parlamentar falará em audiência pública sobre a investigação comercial que pode levar à aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O resultado pode impactar a economia nacional e as relações diplomáticas.
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), teve sua participação confirmada para a próxima terça-feira (7) na audiência pública que investiga a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. O evento é promovido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e a decisão final poderá impactar significativamente a economia do Brasil, com a possibilidade de taxação de 25% sobre itens nacionais. A audiência está agendada para acontecer em Washington, capital americana, e Flávio Bolsonaro está previsto para discursar a partir das 10h (11h pelo horário de Brasília), no segundo e último dia do encontro. A expectativa é que o senador embarque para os Estados Unidos no final de semana, com agendas prévias no Rio de Janeiro e em Campina Grande nesta sexta-feira (3). A intenção de Flávio Bolsonaro ao participar da audiência é expressar sua oposição a eventuais tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Ele busca, com sua fala, afastar a imagem de que teria apoiado a medida, uma acusação feita pela gestão do presidente Lula (PT), seu principal rival político nas próximas eleições. Em carta enviada aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro argumentou que a manutenção da taxação representaria uma "vitória política" para o presidente Lula, entre outros pontos. No mesmo painel de Flávio Bolsonaro, estarão presentes nomes como Roberto Azevêdo, diplomata e ex-diretor da OMC (Organização Mundial do Comércio), que representará a Confederação Nacional da Indústria (CNI); Letícia Sperb Masselli, da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados); Matt Priest, da Associação Americana de Distribuidores e Varejistas de Calçados (FDRA); e Peter Grueterich, do JPT Group LLC Bernardo Footwear. Dezenas de outros representantes de empresas, associações, escritórios de advocacia e especialistas em política comercial também participarão. No dia anterior, Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro e figura conhecida por articulações com o governo Donald Trump, também participará. Figueiredo tem defendido a aplicação da Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal, em substituição ao tarifaço. A posição de Flávio Bolsonaro e de seu aliado reforça a percepção do Planalto de que a atual crise comercial tem origem em articulações dos irmãos Bolsonaro e Figueiredo junto ao governo Trump. A maior parte da audiência será dedicada à apresentação de avaliações por parte de representantes dos setores privados brasileiro e americano, abordando temas como acesso a mercados, barreiras comerciais, propriedade intelectual, comércio digital, compras governamentais e ambiente regulatório. A audiência é um desdobramento da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que analisa práticas potencialmente prejudiciais aos interesses comerciais dos EUA e servirá de base para a tomada de decisão governamental sobre medidas a serem adotadas contra o Brasil. O governo brasileiro intensificou os esforços diplomáticos para evitar a aplicação das tarifas. Nesta quinta-feira (2), o ministro Márcio Elias, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, realizou a quarta reunião de alto nível com o representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. As equipes técnicas retomarão os encontros no início da próxima semana, e uma nova reunião entre as autoridades está prevista antes de 15 de julho, data em que uma decisão sobre as supostas práticas desleais do Brasil deve ser anunciada, incluindo a ameaça de tarifas de 25% sobre produtos nacionais. Para reverter esse quadro, o Brasil propôs um "mapa do caminho" com medidas para atender às queixas americanas, como a redução de tarifas de importação em setores como máquinas, saúde e tecnologia da informação. Pelas regras da OMC, esses benefícios devem ser estendidos a outros países, embora as empresas dos Estados Unidos sejam as principais beneficiadas. O PIX, contudo, permanece fora das negociações e é considerado "intocável". Nos bastidores, a diplomacia brasileira considera a negociação mais complexa devido à ausência de déficit comercial dos Estados Unidos com o Brasil e a dados defasados utilizados pelos americanos, como os referentes ao desmatamento. Paralelamente aos esforços diplomáticos, o presidente Lula tem criticado a família Bolsonaro, classificando-os como "traidores da pátria" e "entreguistas", e declarou publicamente que "o Brasil não está à venda". A disputa comercial se desenrola em paralelo a uma intensa disputa de narrativas, com forte apelo ao público interno em vista das eleições de outubro. A avaliação nos bastidores é que o desfecho do impasse pode depender mais do cenário político do que dos argumentos técnicos, com alguns apostando que a definição tarifária só ocorrerá após as eleições presidenciais.
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