TENSÃO NAS RELAÇÕES
Lula enfrenta crise diplomática com aliados de Donald Trump na América Latina
Paraguai convoca embaixador brasileiro após declarações sobre a Guerra da Tríplice Aliança, enquanto Argentina mantém atritos com o governo petista.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um momento de acentuado desgaste nas relações com a Argentina e o Paraguai, nações que se aproximaram das diretrizes políticas de Donald Trump. A instabilidade ocorre em um cenário onde o Brasil lida com restrições econômicas impostas pelos Estados Unidos e preocupações sobre a influência externa em processos eleitorais.
O episódio mais recente envolve o Paraguai, que deve formalizar uma nota de protesto nesta sexta-feira (31/7) ao embaixador brasileiro, José Antônio Marcondes de Carvalho. A reação paraguaia decorre de comentários feitos por Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança, durante um evento realizado no último fim de semana em São Paulo.
Na ocasião, o presidente brasileiro citou a invasão de Corumbá em 1864 para justificar investimentos na área de defesa. A fala foi interpretada pelo governo paraguaio e pelo seu Parlamento como uma distorção histórica, que ignora a interferência brasileira no Uruguai da época. Para o país vizinho, a narrativa de Lula minimiza o sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio durante o conflito.
Simultaneamente, a diplomacia brasileira enfrenta desafios com a Argentina. O estopim foi a participação do presidente argentino, Javier Milei, na convenção do Partido Liberal (PL), onde atacou frontalmente o chefe do Executivo brasileiro. Como gesto de desaprovação, o Brasil convocou seu representante em Buenos Aires e solicitou esclarecimentos ao embaixador argentino.
A tensão é agravada pelo alinhamento dos dois países vizinhos ao chamado Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater o crime organizado na região, da qual o Brasil não faz parte. Além disso, a gestão de Donald Trump implementou novas tarifas contra produtos nacionais e renovou a classificação de estado de emergência contra o Brasil, elevando a preocupação no Palácio do Planalto sobre possíveis interferências no cenário político interno.
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