PODER DO SENADO
Senado rejeita Messias e impõe revés a Lula
Articulação de Alcolumbre, pressão eleitoral e caso Banco Master definem voto. Advogado-geral não deve voltar à AGU.
O Senado Federal rejeitou, nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, um revés notável para o governo Lula, emergiu de uma complexa teia de fatores políticos, incluindo a forte articulação do presidente do Senado, Alcolumbre, alinhada a cálculos eleitorais de grupos como o de Flávio Bolsonaro e a expectativa sobre delações no caso do Banco Master. Este desfecho não apenas redesenha o tabuleiro da sucessão no STF, mas também sublinha a autonomia e o poder de barganha do Legislativo, com repercussões diretas na governabilidade e na distribuição de poder no cenário político nacional, impactando até mesmo a condução da Polícia Federal.
Nos bastidores da capital federal, senadores confirmaram que o presidente do Senado, Alcolumbre, exerceu um controle político direto sobre a votação. Alguns parlamentares relataram a um ministro do Supremo que, embora pudessem ser favoráveis ao nome de Messias, sentiam-se impedidos por Alcolumbre de votar a favor da indicação. Essa articulação reforçou a percepção de que a liderança do Senado foi determinante para o resultado.
A derrota de Messias na votação gerou um debate imediato no entorno do presidente Lula (PT). Há quem defenda que o advogado-geral da União não retorne ao seu cargo atual, mas assuma o Ministério da Justiça, pasta que tem sob sua alçada a Polícia Federal. Essa movimentação, se confirmada, indicaria uma tentativa do governo de realocar um nome de confiança em uma área estratégica, apesar do revés.
Fontes próximas ao presidente Lula (PT) apontam que a rejeição foi fruto de uma conjunção de elementos: traições de última hora, votos que eram considerados garantidos se esvaíram, e, crucialmente, uma intensa disputa político-eleitoral em curso no próprio Senado. Neste cenário, o grupo de Flávio Bolsonaro, já anunciado como pré-candidato à Presidência da República pelo PL, emergiu como um ator-chave. A avaliação é que houve uma articulação organizada para transformar a votação de Messias em um simbólico enfrentamento à administração federal, uma estratégia que, afinal, se mostrou eficaz.
A vontade pessoal de Alcolumbre também desempenhou um papel central, encontrando eco e apoio entre ministros do próprio Supremo Tribunal Federal que manifestavam reservas à indicação de Messias, entre eles o ministro Alexandre de Moraes. Além disso, o cálculo individual dos senadores, com a expectativa de futuras indicações ao STF, pesou significativamente. Contudo, mesmo diante da derrota, aliados do presidente Lula afirmam que ele não cederá a esse tipo de pressão na escolha do próximo nome para a Suprema Corte.
Um elemento adicional, apontado por fontes do STF, foi a expectativa em torno de possíveis delações no caso do Banco Master. A possibilidade de envolvimento de nomes ligados ao Centrão nessas revelações teria adicionado uma camada de descontentamento e um 'recado' ao governo durante o processo de votação.
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