REVÉS POLÍTICO

Senado rejeita Jorge Messias para o STF

Jorge Messias foto Geraldo Magela Senado
Jorge Messias em registro de Geraldo Magela para o Senado.

Indicado de Luiz Inácio Lula da Silva ao STF, Jorge Messias sofre derrota no Senado com 42 votos contrários. O resultado expõe falhas na articulação governista e atritos políticos.

O Senado Federal negou, nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), um revés político significativo para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão, que ocorreu após uma votação apertada no plenário, com 34 votos a favor e 42 contrários, foi atribuída a uma combinação de fatores: uma forte articulação de oposição liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e admitidos equívocos na estratégia da própria candidatura de Messias. Este desfecho ressalta as crescentes tensões entre Executivo e Legislativo e impacta diretamente a governabilidade e o equilíbrio de forças na Suprema Corte, levantando questionamentos sobre a capacidade de articulação do Planalto e a dinâmica política atual.

Nos bastidores, auxiliares do governo avaliam que o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) contribuiu para a própria derrota ao insistir no envio da mensagem presidencial ao Congresso para destravar a votação, mesmo sem um cenário consolidado de apoio. Essa avaliação interna aponta um excesso de confiança na adesão de setores da oposição, especialmente da bancada evangélica, que teria sido impulsionada por uma articulação favorável conduzida pelo ministro do STF André Mendonça, evangélico como Messias.

A proximidade entre Messias e Mendonça também é vista como um fator que prejudicou a estratégia. Mendonça atua como relator de temas sensíveis no Supremo, como o caso do Banco Master e investigações relacionadas a fraudes no INSS, que podem atingir parlamentares. Além disso, a eventual aprovação de Messias poderia alterar o equilíbrio interno da Corte, o que teria gerado resistência entre ministros — entre eles Alexandre de Moraes, apontado como próximo de Alcolumbre e, segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, atuante no movimento contrário à indicação.

Outro ponto considerado negativo foram declarações públicas de Messias em defesa do código de conduta proposto pelo presidente do STF, Edson Fachin. O tema divide o tribunal e, na avaliação de aliados, suas falas acabaram desagradando ministros críticos à proposta em meio a disputas internas na Corte.

Também pesou, segundo governistas, a participação de Messias em um jantar com senadores na residência de Lucas Barreto (PSD-AP), adversário político de Alcolumbre no Amapá. O gesto foi interpretado como um movimento de enfrentamento direto ao presidente do Senado, agravando o ambiente político e pessoal entre as lideranças.

Procurado para comentar o assunto, Jorge Messias não se manifestou.

Para interlocutores do Planalto, houve um erro de leitura do cenário político, especialmente ao não perceber o avanço das resistências no Senado e a atuação direta de Davi Alcolumbre para barrar a indicação. Eles avaliam que a derrota resulta de um conjunto de fatores, incluindo o impacto das investigações envolvendo o Banco Master, que preocupa o Congresso, o desgaste na relação entre parlamentares, governo e STF, além do ambiente pré-eleitoral, marcado pelo fortalecimento de candidaturas como a de Flávio Bolsonaro.

No Legislativo, senadores também apontam falhas na condução política do próprio presidente da República. Há a avaliação de que Luiz Inácio Lula da Silva poderia ter se envolvido mais diretamente na articulação, tanto para melhorar a relação com Davi Alcolumbre quanto para ampliar o diálogo com parlamentares indecisos.

Embora reconheçam que a indicação ao STF é prerrogativa do Executivo, esses senadores afirmam que o processo — desde a formalização do nome até a demora no envio da mensagem ao Congresso — apresentou falhas que poderiam ter sido evitadas, culminando em uma derrota que abala a imagem e a força política do governo na República.

Por outro lado, ministros ouvidos minimizaram erros de Messias e concentraram críticas na articulação política do governo. Segundo eles, faltou maior empenho das lideranças governistas no Congresso e da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela interlocução com o Legislativo, para garantir a aprovação.

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