SAÚDE DA MULHER

Seis em cada dez mulheres brasileiras negligenciam exames ginecológicos preventivos

Imagem ilustrativa representando cuidados com a saúde ginecológica.
A realização de exames preventivos nas UBS é essencial para a saúde feminina. Foto: Freepik

Dados apontam que 64% das brasileiras deixaram de realizar exames fundamentais no último ano; impacto no acolhimento médico compromete a adesão aos protocolos preventivos.

A prevenção de doenças ginecológicas enfrenta barreiras significativas no Brasil, com uma parcela expressiva da população feminina deixando de realizar exames fundamentais para a preservação da saúde e detecção precoce de patologias. De acordo com a pesquisa "Percepção das Brasileiras sobre Tumores Ginecológicos e Práticas de Prevenção", realizada pelo Instituto Locomotiva em conjunto com o Grupo EVA (Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos), 64% das entrevistadas não realizaram exames ginecológicos preventivos no último ano.

O levantamento, que ouviu 800 mulheres entre 18 e 25 anos, evidencia um distanciamento entre o conhecimento sobre a importância da prevenção e a prática efetiva. O Papanicolau, exame crucial para prevenir o câncer de colo do útero, foi realizado por apenas 39% das participantes, embora 74% conheçam sua finalidade. O cenário se repete em outros exames essenciais: 57% não realizaram ultrassonografia transvaginal, 59% não passaram por exame clínico ou autoexame das mamas e 78% não realizaram o DNA-HPV.

A qualidade do atendimento clínico também surge como fator determinante para essa lacuna. O estudo aponta que apenas 3 em cada 10 mulheres consideraram sua última consulta ginecológica totalmente esclarecedora, e 47% das que tiveram uma experiência insatisfatória abandonaram o acompanhamento médico.

O impacto dessa omissão é grave, considerando que o câncer de colo do útero, fortemente associado ao HPV, causa cerca de 20 mortes diárias no Brasil e figura como uma das principais causas de óbito por câncer entre mulheres de até 35 anos. Especialistas reforçam que a vacinação contra o HPV, disponível para pessoas de 9 a 45 anos, e os exames de rotina são as ferramentas mais eficazes para reverter esse quadro.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta o Papanicolau gratuitamente, recomendado a partir dos 25 anos, além da Mamografia a partir dos 40 anos. O atendimento nas UBS (Unidades Básicas de Saúde) é o canal principal para a realização destes procedimentos e o acesso a métodos contraceptivos.

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