SOBERANIA DIGITAL
Secretário Henrique Miguel: 'Mundo foi surpreendido' pela IA
Henrique Miguel, do MCTI, reitera que Brasil não se atrasou na corrida da IA. Investimento massivo de big techs redefiniu o cenário global, alertando sobre a dependência e a soberania dos dados nacionais.
O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital do MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação), Henrique Miguel, garantiu nesta sábado, 16 de maio de 2026, que o Brasil não entrou atrasado na corrida pela inteligência artificial (IA). Segundo Miguel, o avanço vertiginoso das ferramentas generativas e o colossal investimento das big techs surpreenderam o mundo todo, redefinindo o cenário global e intensificando a disputa tecnológica. Esta perspectiva ressalta a urgência em fortalecer a soberania digital do país.
Miguel explicou que o crescimento exponencial da inteligência artificial transformou velozmente a dinâmica da disputa tecnológica global, especialmente com a entrada maciça de grandes corporações. “A capacidade de treinamento, formação e mobilização das big techs é impressionante. Elas investem mais do que todos os países somados”, frisou.
Embora Estados Unidos e China mantenham uma capacidade de investimento superior, o que realmente surpreende, conforme o secretário, é a intensidade dos aportes privados em IA. “O volume é extremamente fora da realidade do Brasil, e também da Europa”, ponderou.
Dependência Estratégica
Para o Brasil, o maior risco reside em persistir na dependência de tecnologias estrangeiras em áreas consideradas estratégicas. A inteligência artificial hoje se aplica a setores vitais como saúde, agricultura, educação, biologia, química e pesquisa científica, o que, para Miguel, eleva a relevância geopolítica dessa tecnologia e seu impacto direto na vida dos cidadãos.
A concentração da infraestrutura e das plataformas de IA em grandes corporações pode, no futuro, resultar em restrições ao acesso a tecnologias essenciais. “Essa dependência agravada pode gerar impedimentos de acesso a tecnologias estratégicas que um país necessita e não terá como desenvolver ou adquirir”, alertou.
Ele detalhou que, “ao adquirir um supercomputador, uma infraestrutura de ponta ou programas específicos, as cláusulas restritivas já acompanham o produto”.
O secretário também vinculou a dependência tecnológica à vulnerabilidade cibernética. “Não é possível se defender sem ferramentas, equipamentos e recursos humanos capazes de construir a própria segurança”, complementou.
Soberania dos Dados
Em meio às discussões sobre soberania digital, o governo brasileiro já transferiu para o país as principais bases de dados sensíveis. Miguel informou que Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência) atualizaram seus data centers e infraestrutura para garantir que essas informações permaneçam em território nacional, protegendo a privacidade e segurança dos cidadãos.
O secretário enfatizou a preocupação crescente com a proteção de dados governamentais sensíveis. “Esses dados não podem, sob nenhuma circunstância, permanecer fora do Brasil”, concluiu, reforçando o compromisso com a segurança nacional.
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