SAÚDE EM DEBATE
Secretário de Saúde critica estratégia de Allyson Bezerra e questiona inauguração de unidade de saúde em Mossoró
Alexandre Motta alega que a nova unidade municipal é uma policlínica e critica 'jogo das aparências' do pré-candidato ao Governo do Estado. A Sesap argumenta que a estrutura não substitui um hospital e que casos complexos são encaminhados para outras unidades.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) elevou o tom das críticas à unidade de saúde inaugurada pelo ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil). Em um vídeo divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira, 10/06/2026, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, voltou a questionar a natureza e a funcionalidade da unidade municipal. Motta classificou o equipamento como uma policlínica, e não um hospital, associando a estratégia de divulgação àquilo que chamou de “jogo das aparências”.
Na gravação, o secretário dirigiu críticas pessoais a Allyson Bezerra, fazendo referência direta aos frequentes saltos realizados pelo pré-candidato em eventos públicos e vídeos compartilhados nas redes sociais. "Vocês já pararam para pensar por que o candidato Allyson pula tanto em todos os seus eventos? Afinal, ele não é candidato a saltimbanco, mas a governador do Estado", declarou Alexandre Motta, comparando a postura do político a artistas populares que realizam acrobacias e performances. Para o secretário, a imagem construída por Allyson Bezerra estaria focada na valorização da aparência em detrimento da gestão administrativa. "A razão está no jogo das aparências. E é mesmo porque ele insiste em chamar a policlínica que inaugurou em Mossoró de hospital", reiterou.
O secretário estadual de Saúde insistiu que a unidade municipal não possui as características de um hospital de maior porte. Segundo Alexandre Motta, o equipamento realiza exames e cirurgias eletivas de baixo risco em pacientes selecionados com baixo potencial de complicação. "A policlínica realiza exames eletivos e também cirurgias eletivas de baixo risco em pacientes selecionados com baixo potencial de complicação", afirmou. Ele complementou que pacientes com quadros mais delicados são encaminhados para outras unidades da rede de saúde. "Os pacientes com maior potencial de complicação são direcionados à Apamim [Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e Infância de Mossoró]. E os pacientes que eventualmente complicam são direcionados ao Hospital Tarcísio Maia, como já aconteceu em dois casos", detalhou.
As declarações reforçam críticas já feitas anteriormente pelo próprio secretário. Em entrevista prévia ao Portal Diário do RN, Alexandre Motta já havia apontado que a unidade municipal não dispõe de leitos de UTI, não atende urgência e emergência de forma permanente e não funciona durante a noite nem aos finais de semana. "Lá também não dispõe de atendimento noturno, nem de fim de semana, nem de UTI", reiterou.
Para o titular da Sesap, embora os serviços oferecidos pela policlínica sejam importantes para a população, eles não são suficientes para lidar com os principais gargalos da saúde pública na região Oeste. "As ações da policlínica são importantes, mas não são determinantes para mudar o rumo da saúde em Mossoró nem na região hoje", avaliou.
Alexandre Motta sustentou que o principal problema na região continua sendo a falta de leitos de retaguarda, o que contribui para a sobrecarga do Hospital Regional Tarcísio Maia e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município. "Tarcísio Maia vive sobrecarregado, apesar de contar com 219 leitos de internamento. E as UPAs de Mossoró também. A razão é a mesma: faltam leitos de retaguarda na região", explicou. Ele defendeu que a implantação de uma estrutura hospitalar com maior capacidade assistencial teria um impacto mais significativo na rede pública de saúde. "A presença de um hospital de fato aliviaria o Tarcísio, as UPAs e a saúde como um todo sairia beneficiada", declarou.
Ao concluir suas críticas, o secretário voltou a associar a discussão à postura política de Allyson Bezerra. "Faltou pé no chão para o prefeito candidato quando escolheu pular o óbvio em razão das aparências, mais uma vez", finalizou Alexandre Motta.
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