CARCINICULTURA GANHA FORÇA

Sebrae-RN lança programa para impulsionar a indústria de camarão no interior do Rio Grande do Norte

Imagem ilustrativa de um campo de cultivo de camarão no Rio Grande do Norte.
Programa de Interiorização da Carcinicultura visa expandir a produção de camarão para o interior do Rio Grande do Norte.

Iniciativa do Sebrae-RN busca expandir a produção de camarão cultivado para novas regiões do Estado, fomentando o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade. A decisão visa fortalecer a cadeia aquícola potiguar e consolidar um novo ciclo de crescimento.

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN) decidiu lançar um programa inovador voltado à interiorização da carcinicultura no Rio Grande do Norte. A iniciativa, que ocorrerá oficialmente em 1º de junho, tem como principal objetivo ampliar a produção de camarão cultivado, fortalecer toda a cadeia aquícola e impulsionar um novo ciclo de crescimento econômico para o setor no Estado. Essa decisão é crucial para o desenvolvimento regional e para a dignidade dos trabalhadores rurais.

O lançamento oficial do Programa de Interiorização da Carcinicultura será realizado às 9h, no Cine Teatro Pedro Amorim, em Assú. O evento reunirá produtores, representantes de instituições públicas, pesquisadores e lideranças da atividade, demonstrando a união de esforços em prol do setor. A iniciativa foi articulada em parceria com o Governo do Estado, o Ministério da Pesca e Aquicultura, a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern) e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

Camarão em cativeiro, símbolo da expansão da carcinicultura no Rio Grande do Norte.

A proposta central do programa é expandir a atividade para regiões do interior potiguar que possuem potencial hídrico e produtivo. Essa estratégia visa reduzir a concentração histórica da carcinicultura no litoral e estimular o surgimento de novos polos econômicos no semiárido, gerando oportunidades e prosperidade em áreas antes menos exploradas. O impacto direto será a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida para as comunidades locais.

Marcelo Medeiros, gestor da área de aquicultura do Sebrae-RN, detalhou que o programa pretende incentivar a adoção de práticas sustentáveis, elevar a qualificação técnica dos produtores e aumentar a competitividade da cadeia produtiva potiguar. "O programa busca incentivar práticas sustentáveis na cadeia produtiva da carcinicultura, promovendo inovação, qualificação técnica e fortalecimento da competitividade do setor no Estado", afirmou Medeiros. Essas ações visam garantir um futuro mais próspero e responsável para todos os envolvidos.

Este movimento ocorre em um momento estratégico para o Rio Grande do Norte, que se consolidou como o segundo maior produtor de camarão cultivado do Brasil, atrás apenas do Ceará. O Estado responde atualmente por cerca de 25% da produção nacional, demonstrando sua relevância e potencial. O programa é um passo fundamental para manter e ampliar essa posição de destaque.

Os números do setor são expressivos: a carcinicultura potiguar movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano e gera entre 25 mil e 35 mil empregos diretos no Estado. Esses dados evidenciam a importância econômica e social da atividade, especialmente em municípios do semiárido, onde a formalização do trabalho rural é um desafio constante. O programa visa, portanto, solidificar e expandir essas oportunidades de trabalho e renda.

A produção estadual é estimada em cerca de 45 mil toneladas anuais, segundo projeções da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão (ANCC). Essa produção robusta é a base para a expansão planejada, que busca replicar modelos de sucesso e adaptar estratégias às realidades locais.

A estratégia de interiorização busca replicar parcialmente o modelo de sucesso adotado no Ceará, cuja expansão para áreas continentais foi decisiva para o avanço produtivo do Estado vizinho. No Rio Grande do Norte, as ações devem concentrar-se em regiões com alto potencial como Vale do Açu, Chapada do Apodi e Seridó. Essas áreas se beneficiam da segurança hídrica associada a reservatórios e à integração do Rio São Francisco, fatores essenciais para o desenvolvimento da carcinicultura.

Além do potencial de crescimento produtivo, o projeto visa mitigar conflitos ambientais historicamente associados ao cultivo em áreas de manguezal no litoral. A interiorização é vista como uma alternativa viável para ampliar a produção, mantendo maior regularidade ambiental e segurança jurídica, o que representa um avanço na forma como a atividade é conduzida, protegendo ecossistemas e garantindo direitos.

Atualmente, cerca de 75% da produção potiguar já possui licenciamento ambiental e outorga de uso da água, segundo dados do governo estadual. Essa consolidação de práticas responsáveis é um indicativo positivo para a expansão sustentável do setor.

O setor também se volta para a retomada gradual das exportações brasileiras de camarão. Atualmente, a produção potiguar é majoritariamente absorvida pelo mercado interno, um cenário que se consolidou após restrições sanitárias impostas pela União Europeia ao pescado brasileiro. A expectativa é de reabertura e novas oportunidades.

Produtores acompanham atentamente as negociações conduzidas pelo Ministério da Agricultura para uma eventual reabertura do mercado europeu e habilitação sanitária para exportações à China, o maior consumidor mundial de camarão. A ampliação do acesso ao mercado externo pode impulsionar significativamente os investimentos e a produção nos próximos anos, fortalecendo a economia local e nacional.

A expectativa do setor é que o mercado internacional permaneça amplamente aberto para o produto brasileiro, apesar das atuais restrições. A ANCC avalia que o potencial de crescimento é grande, e a conquista desses mercados representa um grande avanço para a sustentabilidade e lucratividade da cadeia produtiva.

O programa do Sebrae-RN se alinha a um contexto de fortalecimento institucional da cadeia produtiva. Em novembro de 2025, o governo estadual sancionou a Lei de Interiorização da Carcinicultura, que oferece incentivos para pequenos e médios produtores expandirem o cultivo no interior do Estado, demonstrando um compromisso político com o desenvolvimento do setor de forma inclusiva.

A carcinicultura potiguar também tem ampliado investimentos em processamento industrial e verticalização da cadeia produtiva. O Estado conta atualmente com ao menos quatro plantas industriais dedicadas ao beneficiamento e congelamento do camarão cultivado, agregando valor ao produto e gerando mais empregos qualificados.

Em um cenário nacional, o Brasil produziu cerca de 210 mil toneladas de camarão cultivado em 2024, movimentando aproximadamente R$ 5 bilhões, de acordo com dados apresentados na Fenacam 2025, a maior feira de aquicultura e carcinicultura das Américas, realizada em Natal. Esses números reforçam a importância estratégica do setor para a economia brasileira.

A expectativa conjunta do governo estadual e do setor produtivo é que a combinação de interiorização, ampliação tecnológica e a potencial retomada das exportações sustente um crescimento de dois dígitos da atividade nos próximos anos. Essa perspectiva otimista indica um futuro promissor para a carcinicultura potiguar, com benefícios significativos para a sociedade.

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