SAÚDE EM CRISE

Santa Casa de Araras encaminha pacientes por tomógrafo quebrado

Tomógrafo inoperante na Santa Casa de Araras frustra pacientes com câncer.
Pacientes reclamam que a tomografia está quebrada há dois meses na Santa Casa de Araras

Aparelho essencial inoperante há dois meses obriga pacientes com câncer a pagar por exames particulares, que chegam a custar mais de R$ 3 mil.

A Santa Casa de Araras e a Secretaria Municipal de Saúde informaram, nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026, que pacientes oncológicos necessitando de exames de tomografia estão sendo prioritariamente encaminhados para serviços contratados fora da unidade. A medida surge em resposta à quebra do aparelho de tomografia do hospital há dois meses, uma falha que tem forçado pacientes como Carlos Espindola, um chefe de cozinha com câncer no intestino, a arcar com custos particulares ou depender de campanhas online para prosseguir com seus tratamentos. A situação expõe a vulnerabilidade de cidadãos em momentos críticos de saúde e levanta preocupações sobre a estrutura do atendimento público. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, Carlos Espindola desabafou sobre o impacto da doença em sua vida profissional e pessoal. Ele relatou não conseguir trabalhar devido à dor insuportável e ao sangramento constante. "Eu, como chefe de cozinha, como é que eu vou ficar indo no banheiro toda hora secar sangue? Não posso, eu mexo com alimentação", questionou Espindola, sublinhando a gravidade de sua condição. Após sentir fortes dores no abdômen em agosto do ano passado, Carlos buscou a rede pública de Saúde e, depois de diversos exames, recebeu o diagnóstico de câncer no intestino. Devido aos sangramentos frequentes, o chefe de cozinha precisou interromper suas atividades profissionais para se dedicar integralmente ao tratamento. Além da batalha contra a doença e suas dores, Carlos enfrenta a dificuldade em realizar uma tomografia crucial para seu tratamento. Sua família precisou contratar o exame na rede particular, o que acarretará um custo de cerca de R$ 200, além dos honorários de especialistas que ultrapassam R$ 3 mil, impondo um pesado fardo financeiro. Para iniciar a radioterapia, Carlos terá de se deslocar até Limeira, reforçando o desafio logístico e financeiro. Diante de cenários como o dele, outros pacientes da região têm recorrido a campanhas online para arrecadar fundos e cobrir os custos dos exames em clínicas particulares. Em nota oficial, a Santa Casa de Araras assegurou que não há necessidade para pacientes recorrerem a campanhas de arrecadação para exames de tomografia. O hospital afirmou que pacientes oncológicos, com necessidade de tomografia dentro do protocolo de tratamento, estão sendo encaminhados com prioridade pela assistência social da Secretaria Municipal de Saúde para serviços contratados em outros locais do município.

Problemas na estrutura

A situação do tomógrafo não é um incidente isolado. Em abril, familiares e pacientes já haviam denunciado a precária estrutura da Santa Casa de Araras. Na ocasião, a prefeitura prometeu um investimento de R$ 14 milhões ao longo do ano para aprimorar o sistema de saúde, incluindo a expansão de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Carlos Espindola também expressou sua insatisfação com as condições gerais do hospital. "Para você ter uma noção, nem papel higiênico nos banheiros para você usar tem. [...] Tem que levar tudo porque a Santa Casa não tem para te oferecer", criticou o paciente, ilustrando a falta de itens básicos. O chefe de cozinha lamentou a impotência diante da espera pelo tratamento. "Falei até para o médico de oncologia que está sangrando muito. Ele falou que depois que eu fizer a radio[terapia], nas primeiras sessões, pode parar o sangramento, pode parar tudo, mas até chegar essas primeiras sessões, como é que vou fazer?", desabafou, evidenciando a angústia pela demora.

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