SAÚDE E PREVENÇÃO
Risco de câncer de pulmão é até 30 vezes maior entre fumantes, alerta Inca
Dados do Instituto Nacional de Câncer mostram que o tabagismo elevou o número de fumantes no Brasil em 2024; especialistas apontam o preço baixo como entrave ao combate ao vício.
O risco de morrer por câncer de pulmão pode ser até 30 vezes maior entre fumantes do que entre pessoas que nunca tiveram contato com o tabaco. A constatação faz parte de um levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que alerta para a gravidade da doença, considerada o tipo de câncer que mais mata no Brasil, com mais de 30 mil óbitos anuais.
A condição, que costuma ser silenciosa, atinge um estágio crítico de letalidade: cerca de oito em cada dez pacientes só recebem o diagnóstico quando a enfermidade já está em fase avançada. O cenário de saúde pública ganha novos contornos alarmantes com a reversão de uma tendência histórica: após quase 20 anos de queda, o número de fumantes no Brasil voltou a crescer. Dados do Vigitel indicam que 11,7% da população adulta fumava em 2024, um aumento em relação aos 9,3% registrados no ano anterior.
A luta diária pela superação
O impacto do vício na vida cotidiana é exemplificado pela trajetória de Bryan Dutra. Aos 32 anos, ele relata que o consumo começou de forma social em 2014, mas rapidamente escalou para uma dependência química que durou 12 anos. O que era um hábito em festas tornou-se um vício diário que exigia planejamento para esconder o comportamento e lidar com crises de abstinência.
A recuperação de Bryan, que está há dez meses sem fumar, exigiu rede de apoio e disciplina. "Eu luto todos os dias porque eu sei que isso vai pesar na minha saúde lá na frente. Precisei fazer uma escolha por mim", afirma.
Busca por tratamento no SUS
A busca por suporte profissional tem se intensificado. Segundo o Ministério da Saúde, o número de atendimentos voltados ao combate ao tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS) saltou de 351.832 em 2015 para 2.510.509 em 2025. O tratamento gratuito na rede pública envolve acompanhamento multidisciplinar e, conforme indicação médica, uso de medicamentos como adesivos, gomas de nicotina e bupropiona.
Desafios econômicos e tributários
O custo humano e financeiro do tabagismo é expressivo. O Sistema Único de Saúde (SUS) gasta R$ 98 bilhões anualmente com patologias relacionadas ao fumo, enquanto a arrecadação de impostos sobre a indústria cobre apenas 5% desse montante. Para cada real arrecadado, o Estado desembolsa cinco reais em tratamentos e perdas de produtividade.
Apesar da recente decisão do governo federal de elevar o preço mínimo do cigarro de R$ 6,50 para R$ 7,50 neste ano, especialistas consideram o valor insuficiente. Com o congelamento da política de reajustes anuais entre 2017 e 2023, o Brasil mantém hoje um dos cigarros mais baratos da América do Sul, o que é apontado por pesquisadores como um fator que dificulta o controle do consumo.
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