TRANSPARÊNCIA E SAÚDE

Sanesul deve alterar informações sobre qualidade da água em Dourados após recomendação do MPF

Rio Dourados em Mato Grosso do Sul, responsável pelo abastecimento da cidade.
Rio Dourados, responsável por abastecer o município — Foto: Flávio Retratista/ Agência ALEMS

Concessionária tem 30 dias para detalhar riscos de contaminação por agrotóxicos no Rio Dourados, após Ministério Público Federal apontar contradições nas faturas enviadas à população.

A Sanesul recebeu a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para retificar as informações sobre a qualidade da água fornecida à população de Dourados. A medida, definida nesta segunda-feira, 13/07/2026, visa garantir o direito fundamental à informação e a proteção da saúde pública, após a identificação de contradições sobre a presença de resíduos químicos no Rio Dourados, manancial que abastece a cidade. A empresa possui o prazo de 30 dias para adequar as faturas e seus relatórios anuais.

A intervenção do MPF foi motivada por inconsistências observadas em análises das contas de água referentes a março e abril de 2026. Enquanto a Sanesul reconhecia a influência de atividades agropecuárias na bacia hidrográfica, a fatura declarava, simultaneamente, a inexistência de riscos evidentes de contaminação. Para o órgão, essa omissão fere os princípios de transparência das leis de defesa do consumidor e de saneamento básico.

Conforme dados do Painel de Monitoramento de Resíduos de Agrotóxicos em Águas Superficiais de Mato Grosso do Sul, desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste, a detecção de substâncias químicas é recorrente. Apenas nos primeiros quatro meses de 2026, 38 tipos de pesticidas foram identificados no sistema de abastecimento.

A partir de agora, a Sanesul deverá incluir nas contas um resumo claro dos resultados das análises, destacando eventuais riscos à saúde. A empresa está proibida de manter o trecho que nega riscos de contaminação e deve orientar a população sobre medidas preventivas. Além disso, relatórios anuais deverão detalhar as condições da bacia, fontes de poluentes, o Valor Máximo Permitido (VMP) para cada substância e o número exato de amostras coletadas.

A preocupação técnica é agravada pelo comportamento da atrazina, herbicida encontrado em 84,44% das 630 análises realizadas até 24 de abril de 2026. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc) classificou, em novembro de 2025, o composto no Grupo 2A, indicando que a substância é provavelmente cancerígena para seres humanos. A diversidade de agrotóxicos identificados no manancial também cresceu significativamente, saltando de 20 tipos em 2019 para 43 produtos distintos em 2025.

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