LUTO EM SALVADOR
Salvador lamenta perda de vidas em desabamento de prédio
Operários Roberto Carlos Evangelista, Maurício Santos Lima e Raimundo Brito dos Santos não resistem. Buscas finalizadas pelos Bombeiros, investigação em curso.
A comunidade de Salvador acordou em luto neste domingo, 17 de maio de 2026, com a confirmação do Corpo de Bombeiros da Bahia sobre o resgate do último corpo sob os escombros de um prédio desabado no bairro Luís Anselmo. Roberto Carlos Evangelista, de 58 anos, Maurício Santos Lima, de 51, e Raimundo Brito dos Santos, de 59, todos operários da obra, perderam a vida no trágico incidente ocorrido no sábado, 16 de maio. O desabamento do imóvel, que estava em obras e, segundo relatos, já apresentava rachaduras, mobilizou equipes de resgate por mais de 24 horas e deixou a cidade em alerta, evidenciando a fragilidade e os riscos inerentes a construções irregulares ou mal fiscalizadas, e o profundo impacto da perda de vidas humanas em acidentes evitáveis.
Os três homens foram identificados como Roberto Carlos Evangelista, Maurício Santos Lima e Raimundo Brito dos Santos. Eles trabalhavam na obra quando a estrutura ruiu. Até o momento, não há informações divulgadas sobre o velório e sepultamento dos trabalhadores, cujas famílias agora enfrentam a dor da perda e a burocracia para lidar com a tragédia.
O Corpo de Bombeiros informou que, além das três vítimas fatais, outras três pessoas estavam no imóvel de quatro andares no momento do desabamento: um homem, José Antônio, sua esposa e um bebê de um ano e seis meses. A mulher foi socorrida e encaminhada para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde seu quadro de saúde é estável e não corre risco de morte, embora sinta dores pelo corpo, conforme relatado por um familiar à TV Bahia. José Antônio e o bebê, por sorte, não sofreram ferimentos e estão bem fisicamente, mas o trauma da experiência certamente ficará marcado.
As operações de resgate foram intensas desde a noite de sábado, 16 de maio. Os bombeiros confirmaram a primeira morte horas após o desabamento, e a segunda vítima foi localizada por volta das 20h15. Houve um breve momento de confusão quando o SAMU inicialmente informou uma morte, depois retificou que a informação não estava oficialmente atestada. Pouco mais de uma hora depois, os bombeiros confirmaram o segundo óbito. O trabalho incansável das equipes prosseguiu pela madrugada, resultando no resgate do corpo do último homem que permaneceu sob os escombros nas primeiras horas deste domingo, 17 de maio.
Com a finalização das buscas, a Defesa Civil de Salvador (Codesal) anunciou que a operação entra em uma nova fase. Após a remoção total dos escombros, equipes especializadas iniciarão os procedimentos técnicos para analisar a estrutura e determinar as causas exatas do ocorrido. As investigações são cruciais para que tais desastres possam ser prevenidos no futuro e para que responsabilidades sejam apuradas.
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Técnica, CODESAL e do Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil (SMPDC) retomaram os trabalhos às 7h deste domingo, 17 de maio, para dar continuidade aos procedimentos pós-resgate, incluindo a segurança da área e a perícia.
José Antônio Conceição Cabral, um dos sobreviventes, relatou momentos de terror à TV Bahia. Ele ouviu um barulho e agiu rapidamente, correndo do local com a esposa e o filho pequeno. Em um ato de desespero, a esposa chegou a tentar segurar uma das paredes que ruía, mas José Antônio a puxou junto com o bebê para fora. A estrutura cedeu segundos depois que conseguiram alcançar a escada do prédio. "A mulher estava querendo segurar parede, eu arrastei ela e o bebê e saí correndo", contou Cabral, expressando a agonia daquele instante. Felizmente, a família escapou ilesa de ferimentos físicos.
José Antônio também revelou que rachaduras no prédio haviam surgido há cerca de um mês, um alerta que infelizmente não impediu a tragédia. Segundo ele, não havia muitos moradores no imóvel no momento do desabamento, pois a maioria estava trabalhando. Ele não soube precisar o número exato de pessoas que viviam no local. Essa informação preliminar aponta para a importância de investigar as condições do imóvel e se houve negligência na manutenção ou fiscalização.
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