CRISES NO PL
Saída de marqueteiro de Flávio Bolsonaro fortalece ala do PL
A demissão de Marcello Lopes, após polêmica envolvendo o filme 'Dark Horse' e investigações sobre Daniel Vorcaro, sinaliza fortalecimento de grupos internos que questionam a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
O marqueteiro Marcello Lopes deixou a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira, 21/05/2026, em meio a uma crise deflagrada pela produção do filme “Dark Horse” e pela relação com Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero. "Havia uma comunicação muito problemática na campanha", avaliou a analista de Política Isabel Mega durante o Live CNN.
A decisão de afastar Lopes, como apurado pela reportagem, impulsiona alas do Partido Liberal que defendiam a substituição do nome de Flávio Bolsonaro para a disputa pelo Planalto. A saída do marqueteiro, descrito como amigo pessoal do pré-candidato, possuía um peso político relevante na campanha.
A mudança, no entanto, foi motivada por Rogério Marinho, coordenador da campanha, que já apontava internamente a necessidade da alteração desde a semana anterior. "Ele (Rogério Marinho) nunca teve muita afinidade com essa escolha de Flávio por Marcello Lopes. Depois que veio a crise, isso se acentuou a ponto de haver a necessidade de 'cortar pela raiz' e ter uma nova proposta de marqueteiro integrando esse time de Flávio Bolsonaro", explicou Mega.
O publicitário Eduardo Fischer assume agora como o novo marqueteiro da pré-campanha. A movimentação ocorre em um cenário de crescente resistência interna ao nome de Flávio Bolsonaro dentro do próprio PL, segundo a analista.
Embora não manifestada abertamente, "há uma crise de desconfiança instalada e que vai crescendo, sobretudo depois do encadeamento dos últimos acontecimentos", afirmou Mega. Ela citou episódios como a menção de Flávio Bolsonaro a uma visita a Daniel Vorcaro em novembro de 2025, quando o ex-banqueiro já utilizava tornozeleira eletrônica. A informação foi comunicada aos parlamentares após a publicação da notícia, levando Flávio a interromper uma reunião para se pronunciar à imprensa.
Parlamentares da Câmara também relataram falta de consulta sobre decisões do núcleo duro da campanha, como a abordagem do fim da jornada 6x1, que teria sido associada, sem prévia autorização, a declarações sobre Vorcaro. Queixas sobre o aconselhamento ao senador chegaram até Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que, segundo a analista, não concorda com a equipe atual. "Tudo isso é muito simbólico para a gente entender como essa crise está instalada. Ela exige um poder de reação que precisa ser rápido porque o tempo está correndo", concluiu Mega.
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