DECISÃO GARANTE DIREITO

Rubem Bottas usa direito ao silêncio em depoimento sobre convênio em Rio Preto

Rubem Bottas em depoimento
Rubem Bottas, secretário licenciado de Saúde de Rio Preto (SP), acompanhado de advogados, durante sessão da CEI da Câmara de Vereadores para colher seu depoimento, nesta quinta (21): direito ao silêncio assegurado — Foto: Marina Lacerda/TV TEM

Secretário licenciado de Saúde, Rubem Bottas, obteve habeas corpus para não se pronunciar durante depoimento à CEI que investiga convênio milionário da Prefeitura com Santa Casa de Casa Branca.

O secretário licenciado de Saúde de São José do Rio Preto (SP), Rubem Bottas, compareceu nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, para depor à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara dos Vereadores. Ele obteve um habeas corpus que lhe garante o direito de permanecer em silêncio, evitando assim a prisão ou qualquer punição por não se autoincriminar. A decisão, concedida pela juíza Luciana Conti Puia, da Vara Regional de Garantias de Rio Preto, na quarta-feira (20), assegura que Bottas não será detido por desobediência ou falso testemunho durante o depoimento. A CEI apura um convênio de quase R$ 12 milhões entre a Prefeitura e o hospital de Casa Branca (SP).

A investigação recai sobre um convênio firmado em abril entre a Prefeitura de Rio Preto e a Santa Casa do município de Casa Branca para a realização de um mutirão de exames. O acordo, no valor de R$ 11,9 milhões, gerou repercussão negativa e levou à instalação da CEI. Posteriormente, o prefeito Fábio Cândido (PL) suspendeu o convênio, citando "cautela administrativa" e "segurança jurídica" como motivos.

O objetivo dos vereadores na oitiva era esclarecer as razões que levaram a administração municipal a firmar o acordo com o hospital de Casa Branca, uma cidade com aproximadamente 28 mil habitantes na região de Campinas. O convênio previa o pagamento pela Prefeitura para a realização de cerca de 63 mil exames de imagem em um prazo de 90 dias.

Rubem Bottas durante depoimento na CEI
Rubem Bottas, secretário licenciado de Saúde de Rio Preto (SP), acompanhado de advogados, durante sessão da CEI da Câmara de Vereadores para colher seu depoimento, nesta quinta (21): direito ao silêncio assegurado — Foto: Marina Lacerda/TV TEM

Durante depoimento à CEI no dia 15 de maio, Fernando Araújo, presidente do Conselho Municipal de Saúde, relatou que o órgão foi "induzido a erro" pela administração municipal ao autorizar o convênio. Segundo Araújo, um e-mail solicitando a inclusão do tema na pauta da reunião foi enviado apenas duas horas antes da celebração do acordo, que previa dispensa de licitação.

O presidente da CEI, vereador Renato Pupo (Avante), destacou que o depoimento de Bottas pode trazer novos elementos, incluindo a presença de uma representante da Santa Casa de Casa Branca na reunião em que o conselho aprovou o convênio. Pupo sugeriu que a participação dessa representante poderia ter levado à barragem do acordo.

A administração municipal chegou a realizar um pagamento antecipado de R$ 4,7 milhões pelo convênio, que foi posteriormente cancelado. A Prefeitura agora cobra a devolução integral desse valor, mas até o momento, apenas R$ 950 mil foram recuperados. O prazo para a devolução total venceu na quarta-feira (20).

Por outro lado, Willian Vieira Lemes, provedor da Santa Casa de Casa Branca, afirmou em sessão na Câmara de Vereadores da cidade, nesta terça-feira (19), que o hospital não pretende desistir do convênio e negou problemas financeiros na unidade.

O Ministério Público também vê indícios de irregularidades. O promotor Sérgio Clementino apontou a contratação de uma Santa Casa pequena e distante de Rio Preto, e o pagamento antecipado sem a prestação de serviço, como fatores suspeitos. O MPF instaurou inquérito civil e recomendou a suspensão de gastos relacionados ao convênio, citando fragilidade fiscal e ausência de capacidade técnica da entidade.

O caso está sob investigação do Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público de Rio Preto, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e da CEI da Câmara. A CEI tem um prazo inicial de 120 dias, prorrogáveis, para concluir seus trabalhos. Em meio à crise, Rubem Bottas pediu afastamento do cargo de secretário de Saúde, sendo substituído por Frederico Duarte, que conduzirá uma sindicância interna.

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