OBRA VIRA CRÍTICA
Rompimento em obra de transposição do Rio São Francisco ocorre um dia após inauguração pelo governo Lula
Apenas 24 horas após a cerimônia oficial de inauguração, o Túnel Major Sales, no Rio Grande do Norte, apresentou rompimentos e vazamentos. Registros em vídeo viralizaram nas redes sociais.
A obra do Túnel Major Sales, parte estratégica do Ramal do Apodi, no Rio Grande do Norte, tornou-se alvo de críticas e preocupação apenas 24 horas após a cerimônia oficial de inauguração. Registros em vídeo, que viralizaram nas redes sociais neste sábado, 04/07/2026, mostram rompimentos e um intenso vazamento de água em pontos da estrutura que integra o projeto de transposição do Rio São Francisco.
Nas imagens, é possível observar o fluxo de água escorrendo de forma descontrolada por tubulações e por trechos de terra que apresentaram falhas estruturais. O episódio ganhou força política após o pré-candidato Nilvan Ferreira divulgar o material, classificando o ocorrido como um "estouro" logo após a entrega oficial e cobrando esclarecimentos imediatos do governo federal sobre a qualidade e a segurança da execução da obra.
A solenidade de entrega do túnel Major Sales, presidida por Lula na última quinta-feira, 02/07/2026, expôs um cenário de contradições. Embora apresentada como um marco da segurança hídrica, a obra — com 6,5 km de extensão — é apenas um fragmento de um projeto muito maior, o Ramal do Apodi, que soma mais de 115 km e segue com frentes de trabalho em andamento.
O ponto que gerou maior desgaste foi o registro, via Drone, de contêineres sendo utilizados como solução improvisada para a passagem de água em pontos do ramal. A solução temporária, instalada no lugar de passagens definitivas, levanta questionamentos sobre o planejamento do cronograma e a eficácia do investimento bilionário, sugerindo que a pressa pela entrega oficial teria se sobreposto à conclusão integral da infraestrutura.
Durante seu discurso em Luís Gomes, o presidente Lula não abordou diretamente a presença das estruturas provisórias, como os contêineres. Contudo, ele reconheceu um descompasso técnico na cerimônia, afirmando que sua equipe teria calculado erroneamente o tempo de deslocamento do fluxo hídrico após a abertura da comporta. "Eu já reclamei com a equipe. Eles prometeram que a água chega por volta da meia-noite", declarou o presidente.
A declaração, somada ao improviso das estruturas, serviu como combustível para a oposição, que utiliza o episódio para questionar a segurança hídrica prometida a 1,7 milhão de pessoas que dependem da conclusão definitiva de todo o Ramal do Apodi. Este projeto, iniciado em gestões anteriores, segue como um dos principais desafios de infraestrutura do governo atual no semiárido nordestino.
O Ramal do Apodi é apresentado pelo governo como peça-chave para garantir a segurança hídrica em áreas afetadas pela seca. Com um orçamento bilionário, a expectativa gerada pela obra é alta, tornando o incidente atual um ponto de extrema sensibilidade. Até o momento, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional não emitiu uma nota técnica detalhando as causas do rompimento, se houve falha estrutural, em testes de carga, intervenção específica, ou qual o plano para o reparo emergencial.
A repercussão coloca o governo em posição de defesa, pois a proximidade entre o discurso de inauguração e as imagens do vazamento gera desconfiança sobre a celeridade dos processos de entrega de obras públicas. O portal segue acompanhando os desdobramentos e aguardando um posicionamento oficial das autoridades competentes sobre a estabilidade do túnel.
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