GUERRA CULTURAL

Rogério Marinho ataca ‘chapéu esquisito’ de Allyson Bezerra e acende polêmica no Rio Grande do Norte

Foto de Rogério Marinho e Allyson Bezerra, que se envolveram em disputa política.
O senador Rogério Marinho e o ex-prefeito Allyson Bezerra, pivôs da recente polêmica política no RN.

Senador critica símbolo nordestino em entrevista na segunda-feira, 11 de maio de 2026, e gera forte reação política no cenário pré-eleitoral do Governo do Rio Grande do Norte.

A política potiguar foi palco de um intenso embate cultural e político após o senador Rogério Marinho (PL) fazer um comentário pejorativo sobre o chapéu do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), pré-candidato ao Governo do Estado. A declaração, proferida em uma entrevista na última segunda-feira, 11 de maio de 2026, desencadeou uma onda de críticas e defesas de um símbolo caro à identidade nordestina, elevando o tom da disputa eleitoral. O episódio levanta questões sobre o respeito às tradições regionais e o impacto da retórica na dignidade de uma cultura inteira, gerando um debate que transcende a mera provocação partidária.

Durante sua participação no programa Meio-Dia RN, da 96 FM, o senador Rogério Marinho defendeu a pré-candidatura do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, nome apoiado pelo PL. Neste contexto, ele se referiu a Allyson Bezerra com a expressão: “Na hora que se tem uma candidatura que não é uma coisa e nem outra, que não fede e não cheira, que é inodora, que é insípida, que não tem gosto, que fica toda hora dando saltos para o ar e andando com um chapéu esquisito, essa pessoa tem pouco a dizer à sociedade.”

Na mesma entrevista, Rogério Marinho traçou um cenário de polarização para a disputa estadual, prevendo um confronto entre Álvaro Dias e o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT). “O candidato que o PT apresenta é o sócio do desastre, mas ele tem pelo menos a consistência de defender essa visão de mundo. E nós somos o oposto, a antítese. Nós somos o antagonista claro. Quem está no meio vai perder substância”, argumentou o senador. Ele complementou, afirmando que Allyson Bezerra possuiria uma base eleitoral significativamente atrelada à esquerda: “Qualquer pesquisa que se faça vai ver que o ex-prefeito de Mossoró tem cerca de 60% dos votos atrelados à esquerda. Se o candidato da esquerda sobe, vai subir em cima dele.”

A menção ao “chapéu esquisito” rapidamente gerou indignação, pois Allyson Bezerra é conhecido por usar frequentemente o chapéu de couro, um adereço tradicional do sertanejo e um forte símbolo da rica cultura nordestina. Para muitos, a fala do senador foi um desrespeito direto a essa herança cultural e às pessoas que a representam.

Em um vídeo contundente publicado nas redes sociais nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, Allyson Bezerra rebateu as críticas de Rogério Marinho com veemência. “Esse chapéu esquisito, senador, que o senhor está falando, é um chapéu que é símbolo do povo nordestino brasileiro. É um chapéu que é símbolo do homem que acorda cedo, tem que trabalhar na roça, tem que trabalhar no meio do sol, tem que passar por tanta luta para sobreviver”, declarou o ex-prefeito, defendendo a honra e o valor do acessório.

Allyson Bezerra não poupou palavras, acusando Rogério Marinho de preconceito e arrogância. “Senador, o senhor é um grande preconceituoso, que tem gosto de preconceito e tem cheiro de arrogância.” Ele ainda recordou um episódio das eleições de 2022, quando o senador, em busca de votos, elogiou seu chapéu de couro durante visitas a Mossoró: “O senhor queria se eleger senador, veio para o Rio Grande do Norte e aqui na minha cidade o senhor elogiou meu chapéu de couro.”

O pré-candidato do União Brasil aprofundou as críticas, estendendo-as a posições políticas defendidas por Rogério Marinho, como a reforma da Previdência, a jornada de trabalho, a possível privatização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e a escolha de Álvaro Dias como candidato ao governo. “Esquisito não é o meu chapéu de couro, não. Esquisito é a covardia que o senhor teve”, concluiu Allyson Bezerra, garantindo que continuará a usar o chapéu como um manifesto de sua identidade com o povo do interior.

A discussão ganhou mais um participante com a entrada de Cadu Xavier, também pelas redes sociais. O ex-secretário adotou um tom dúbio, defendendo o chapéu de couro como um “patrimônio do povo sertanejo que acorda todo dia de madrugada e usa o chapéu de couro para se proteger do sol, para batalhar pela vida”, mas rapidamente direcionou suas críticas a Allyson Bezerra.

Para Cadu Xavier, o problema não está no acessório, mas no seu uso político. “O esquisito é o ex-prefeito de Mossoró, que tem a pré-campanha mais cara, uma estrutura maior do que muitos chefes de Estado, usar o chapéu de couro.” Ele ainda acusou Allyson Bezerra de contradições em relação a temas trabalhistas, mencionando sua gestão em Mossoró: “O esquisito é o ex-prefeito de Mossoró, que quando era prefeito, massacrou os servidores do município e agora fala a favor do fim da escala 6×1.” Cadu Xavier finalizou, reforçando a ideia de que o uso do chapéu seria uma estratégia para enganar o eleitorado: “Usar chapéu de couro não é esquisito. O esquisito, o feio, o reprovável é usar o chapéu de couro para ir para as ruas e para as redes para enganar o povo do nosso Estado.”

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