IMPACTO NA CAMPANHA

Rogério Marinho admite abalo na candidatura de Flávio Bolsonaro após caso "Dark Horse"

Senador Rogério Marinho em uma entrevista.
O senador Rogério Marinho (coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro) em entrevista.

Coordenador da pré-campanha reconhece desgaste com repercussão do "Dark Horse" e discute cenário eleitoral. Defende Flávio Bolsonaro como "plano A, B, C e F".

O senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, admitiu que a repercussão do caso "Dark Horse" abalou significativamente a candidatura do parlamentar e impactou negativamente seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto. A declaração foi feita nesta domingo, 14/06/2026.

Em entrevista ao jornal O GLOBO, Marinho reconheceu que a exposição da relação entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro gerou um desgaste político. Contudo, ele avaliou que os efeitos tendem a ser temporários, afirmando: "Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha".

Prestação de contas e unidade

Segundo o senador, o desgaste poderia ter sido mitigado se a ligação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro tivesse sido esclarecida publicamente antes da divulgação das informações. Marinho expressou expectativa de que a prestação de contas prometida pela campanha contribua para encerrar a discussão sobre o tema.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de substituição do candidato em decorrência de novos desdobramentos, Marinho descartou qualquer alteração, declarando enfaticamente: "Flávio é o nosso plano A, B, C e F".

Disputa interna e definição do vice

O senador também comentou as divergências existentes no campo conservador, descrevendo a pluralidade de opiniões dentro do partido como uma força e um desafio político simultaneamente. Referindo-se a declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, Marinho pontuou diferenças de estilo, mas ressaltou a convergência de ideias dentro do grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A definição do candidato a vice-presidente, segundo o senador, deve ocorrer nas próximas semanas. Nomes como Júlia Zanatta, Tereza Cristina, Priscila Costa e Simone Marquetto foram mencionados nos bastidores como potenciais escolhas.

Propostas econômicas e trabalhistas

Em outro ponto da entrevista, Marinho abordou temas econômicos, defendendo o equilíbrio das contas públicas, a manutenção de programas sociais e a realização de uma reforma administrativa. Ele defendeu a revisão de estruturas consideradas ineficientes e a discussão de mudanças nas carreiras do serviço público.

O parlamentar criticou a proposta de redução da jornada de trabalho associada ao fim da escala 6×1, argumentando que a medida poderia impor dificuldades a pequenas e médias empresas. Como alternativa, Marinho apresentou uma proposta que permitiria ao trabalhador optar entre o modelo tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um regime baseado em horas trabalhadas.

"Espero que possamos discutir as propostas de forma concomitante. Não tenho nenhuma dificuldade de fazer a discussão de mérito", afirmou, ressaltando a necessidade de o debate sobre a jornada de trabalho considerar as diversas realidades do mercado e ocorrer paralelamente às demais propostas em discussão no Congresso Nacional.

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