ATAQUE POLÍTICO AO GOVERNO
Robério Paulino critica Allyson Bezerra e aponta "vazio de propostas"
Pré-candidato do Psol, Robério Paulino questiona a substância por trás da imagem política de Allyson Bezerra, ex-prefeito de Mossoró.
Em uma declaração contundente nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, o pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo Psol, Robério Paulino, dirigiu fortes críticas à estratégia de construção de imagem do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União). Paulino acusou Bezerra, também pré-candidato ao governo estadual em 2026, de apresentar um "vazio de propostas" sob a embalagem de sua marca política, o chapéu de couro. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM.
A crítica surge em um momento de ascensão da pré-campanha de Allyson Bezerra, que lidera pesquisas de intenção de voto. Segundo levantamento da Exatus, o ex-prefeito de Mossoró detém 37,29% das preferências em cenário estimulado, superando Álvaro Dias (PL), com 24,91%, e Cadu Xavier (PT), com 10,74%. Robério Paulino aparece com 2,03%, seguido por Dário Barbosa (PSTU) com 0,68%. A pesquisa, que ouviu 1.518 eleitores entre 14 e 17 de abril, possui margem de erro de 2,51 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, com registro na Justiça Eleitoral sob o nº RN-08384/2026.
Robério Paulino buscou enquadrar Allyson Bezerra como um candidato de direita, contrastando com o discurso de origem popular que o ex-prefeito tenta cultivar. "O Álvaro Dias vai representar a extrema-direita, e o Allyson é uma serpente de duas cabeças. O rabo da serpente está no União Brasil, que é um partido de direita", afirmou o pré-candidato do Psol.
Para Paulino, Allyson Bezerra e Álvaro Dias representam facções políticas semelhantes. "Álvaro e Allyson são farinha do mesmo saco. O centro da nossa campanha vai ser a defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, e aqui vamos enfrentar esses dois candidatos", declarou, posicionando sua própria campanha em contraste direto com ambos.
O pré-candidato do Psol indicou que sua estratégia não focará em atacar Cadu Xavier, nome do PT ao Governo, apesar de possuir críticas à gestão da governadora Fátima Bezerra. A prioridade de Robério Paulino será confrontar as candidaturas que ele identifica como pertencentes à direita.
A crítica mais incisiva de Robério Paulino recaiu sobre o uso do chapéu de couro por Allyson Bezerra como marca política. "Vamos desmascarar Allyson. O problema é o que tem embaixo do chapéu. Um vazio de propostas para o Estado. Não é que nós não queremos ver fantasia. Allyson Bezerra é um grande ator", sentenciou.
A polêmica em torno do chapéu de couro ganhou destaque recentemente. No início de maio, o senador Rogério Marinho (PL) ironizou o acessório, chamando-o de "chapéu esquisito" e insinuando uma candidatura indefinida. A declaração gerou resposta imediata de Allyson Bezerra, que acusou Rogério Marinho de preconceito e arrogância, defendendo o chapéu como símbolo da cultura popular nordestina e do trabalhador rural. A controvérsia intensificou a presença do chapéu na pré-campanha de Bezerra, como representação de origem e identidade regional.
Robério Paulino, contudo, buscou desviar o foco da discussão sobre o simbolismo cultural, direcionando-a para a alegada ausência de um plano de governo robusto. A crítica do Psol visa minar um dos pontos fortes de Allyson Bezerra: sua comunicação direta e popular, consolidada a partir de sua experiência administrativa em Mossoró.
Apesar do tom crítico, Robério Paulino reconheceu a habilidade política de Allyson Bezerra, descrevendo-o como "muito simpático" e ativo na percorria do Estado. Paulino, entretanto, prometeu cobrar compromissos concretos em debates. "Mas nós, no debate, vamos cobrar dele compromissos. O professor Robério vai apresentar, o Psol vai apresentar propostas, soluções reais para problemas reais do Estado", afirmou.
Allyson Bezerra, eleito prefeito de Mossoró em 2020 e reeleito em 2024 com expressiva votação, projeta-se como nome competitivo para a sucessão estadual. Sua pré-candidatura foi lançada em fevereiro, no evento RN do Futuro, em Natal, com o apoio de legendas como União Brasil, PP, MDB, PSD, Republicanos, Solidariedade, PRD e Avante.
A composição política de Allyson Bezerra também foi alvo de crítica por parte de Robério Paulino. O pré-candidato do Psol argumenta que, embora Bezerra tente se apresentar como uma alternativa popular, sua base de apoio inclui partidos de direita e lideranças tradicionais, como o vice-governador Walter Alves (MDB) e o deputado estadual Hermano Morais (MDB), indicado por Alves. A aliança com Walter Alves marca um rompimento com o campo governista no plano estadual.
Na entrevista, Robério Paulino também buscou diferenciar sua candidatura da de Cadu Xavier (PT). Ele revelou que o PT procurou o Psol para discutir apoio à chapa governista, mas que a proposta era insatisfatória, exigindo a retirada da candidatura própria do Psol em troca de uma mera incorporação de propostas ao programa petista. "Não nos propôs praticamente nada. Propôs incorporar nossas propostas no programa, mas o papel aceita tudo", criticou.
Robério Paulino confirmou a manutenção de sua pré-candidatura, enfatizando a autonomia política do Psol. Entre as propostas que planeja apresentar estão a erradicação do analfabetismo em dois anos, a expansão da educação em tempo integral, a convocação de aprovados em concursos, a valorização dos servidores e um plano acelerado de industrialização para o Rio Grande do Norte.
Ao defender a industrialização, Paulino destacou o potencial do Estado em produzir bens que atualmente são importados, como água sanitária, sabonete, detergente e fertilizantes. "Nós vamos tentar trazer o Rio Grande do Norte para o futuro com um plano ousadíssimo de industrialização para gerar milhares de empregos, produzir aqui tudo o que possa ser produzido", concluiu.
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