AVANÇO HISTÓRICO NA SAÚDE

Rio Grande do Norte realizará sua primeira cirurgia de redesignação de gênero

Mãos de enfermeira pegando instrumento cirúrgico em ambiente de centro cirúrgico.
Mãos de enfermeira pegando instrumento cirúrgico em ambiente de centro cirúrgico.

Procedimentos ocorrerão em Natal, marcando inclusão e dignidade para a população trans. Estado se junta a outros cinco que já oferecem o serviço.

O Rio Grande do Norte dará um passo pioneiro ao realizar, pela primeira vez, cirurgias de redesignação de gênero. A decisão, confirmada por Rebeca de França, coordenadora da Diversidade Sexual e de Gênero da Secretaria de Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos do RN (SEMJIDH), representa um marco na saúde pública e na garantia de direitos da população trans no estado. Os procedimentos, que ocorrerão em Natal, serão realizados em duas mulheres trans, ampliando o acesso a serviços especializados em adequação corporal e promovendo maior qualidade de vida e dignidade.

Com essa iniciativa, o Rio Grande do Norte se junta a um grupo restrito de estados brasileiros que já oferecem este tipo de intervenção médica. Atualmente, apenas Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo realizam cirurgias de redesignação de gênero, posicionando o RN como um polo de atenção especializada.

Rebeca de França ressaltou a importância deste avanço: “Essas cirurgias colocam o RN como um estado que possui profissionais sensíveis e comprometidos com a verdadeira medicina. A ciência é utilizada para melhorar a vida, o psicológico, a anatomia e a convivência dessas pessoas nas relações sociais.” A coordenadora enfatizou que o procedimento é fundamental para a dignidade e a inclusão social, permitindo que os pacientes se sintam mais confortáveis e alinhados com sua identidade de gênero.

Embora represente um avanço significativo, as cirurgias ainda não estão integradas ao Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Rebeca de França informou que alguns planos de saúde já cobrem o procedimento em situações específicas. A expectativa é que a realização destas primeiras cirurgias possa catalisar o interesse do poder público estadual em expandir o atendimento especializado na rede pública. “O objetivo é chamar a atenção do estado para habilitar ambulatórios e iniciar esse atendimento pelo SUS. Existem contrapartidas do Ministério da Saúde e isso não impactaria diretamente o orçamento estadual”, explicou, sinalizando viabilidade financeira.

Os procedimentos cirúrgicos podem variar de acordo com as necessidades individuais de cada paciente. Para mulheres trans, as opções incluem neovaginoplastia, clitoroplastia e implante de próteses mamárias. Para homens trans, a oferta abrange mastectomia masculinizadora e cirurgias de reconstrução genital, como metoidioplastia ou faloplastia. A iniciativa visa, portanto, fortalecer a assistência especializada e aprofundar o debate sobre saúde e inclusão da população trans no Rio Grande do Norte.

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