SAÚDE INFANTIL EM ALERTA
Rio Grande do Norte: mais de 80 mil crianças enfrentam excesso de peso
Dados do Ministério da Saúde revelam que 39% das crianças potiguares de 0 a 9 anos apresentaram sobrepeso em 2025, impactando desenvolvimento e bem-estar.
Mais de 81 mil crianças com idade entre 0 e 9 anos no Rio Grande do Norte registraram excesso de peso em 2025. Este número alarmante representa 39% da população infantil do estado nessa faixa etária. Os dados, obtidos pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Ministério da Saúde, foram divulgados nesta quarta-feira, 01/07/2026, e evidenciam a urgente necessidade de atenção aos hábitos alimentares e à prática de atividades físicas, especialmente durante os períodos de recesso escolar.
Especialistas apontam que as férias escolares frequentemente alteram a rotina familiar. O aumento do tempo dedicado a telas e a redução das atividades físicas e brincadeiras são fatores que podem levar a escolhas alimentares menos saudáveis e ao sedentarismo, comprometendo a saúde e o desenvolvimento das crianças.
Eva Andrade, docente de Nutrição da Estácio, explica que o excesso de peso na infância resulta da combinação de fatores, incluindo o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, rotinas familiares e um estilo de vida sedentário. A exposição precoce a produtos com baixo valor nutricional pode gerar consequências sérias, como colesterol elevado, pressão arterial alta e resistência à insulina. "Quanto mais cedo a criança se acostuma com alimentos muito doces, gordurosos ou ricos em sódio, mais difícil pode ser aceitar alimentos naturais, como frutas, verduras e legumes", alerta.
Paralelamente, Elmir Andrade, profissional de Educação Física, destaca o impacto negativo do tempo excessivo em frente às telas e da diminuição das atividades físicas no desenvolvimento infantil. "A falta de estímulo aos ossos e aos músculos pode prejudicar o desenvolvimento da coordenação motora e da postura. O excesso de telas pode comprometer o sono, a leitura e a interação familiar, enfraquecendo o aprimoramento de pontos importantes como a criatividade e a tolerância ao tédio. Isso aumenta o risco de isolamento, ansiedade e irritabilidade", afirma.
Para mitigar esses riscos, Eva Andrade sugere a manutenção de uma rotina alimentar organizada, mesmo durante as férias. Pequenas mudanças podem preservar hábitos saudáveis, como manter horários aproximados para as refeições, deixar frutas higienizadas e cortadas à disposição, planejar lanches saudáveis em conjunto com as crianças e reservar guloseimas para momentos específicos.
A especialista também recomenda priorizar frutas, verduras, legumes e fontes de proteína, como carnes, ovos, feijão, leite e derivados. A introdução de alimentos in natura ou minimamente processados, como arroz, batata e aveia, além de manter a hidratação adequada ao longo do dia, é fundamental.
A prática regular de atividades físicas é igualmente essencial. Crianças de até 5 anos precisam de três horas diárias de atividades variadas, preferencialmente brincadeiras ativas e ao ar livre. Já crianças e adolescentes de 6 a 17 anos devem realizar, no mínimo, uma hora diária de exercícios de intensidade moderada a vigorosa, como correr, saltar, nadar, pedalar ou dançar.
Incentivar o movimento pode ser feito por meio do resgate de brincadeiras tradicionais. Em ambientes internos, opções como "morto-vivo", "siga o mestre" e "cabra-cega" são eficazes. Em espaços públicos, atividades como amarelinha, bicicleta e patins promovem o exercício de forma lúdica e contribuem para o desenvolvimento motor, tornando o tempo longe das telas mais atrativo e saudável.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário