DECISÃO HISTÓRICA

Rio Grande do Norte inicia cirurgias de redesignação sexual por planos de saúde

Representação gráfica de uma pessoa trans em processo de afirmação de gênero.
Mulheres trans terão acesso a cirurgias de redesignação sexual por planos de saúde no Rio Grande do Norte.

Primeiros procedimentos ocorrerão nesta quarta e quinta-feira, 21 e 22 de maio de 2026, em Natal. Outras duas pacientes já tiveram cirurgias autorizadas.

O Rio Grande do Norte dá um passo significativo na garantia da dignidade e dos direitos de pessoas trans ao iniciar, nesta quarta-feira, 20/05/2026, a realização de cirurgias de redesignação sexual por meio de planos de saúde. A decisão, que coloca o estado na vanguarda do acesso a procedimentos de afirmação de gênero, impacta diretamente a vida de quatro mulheres trans que realizarão os procedimentos ainda esta semana em Natal. Outras duas pacientes já estão em processo de validação e devem ter suas cirurgias autorizadas ainda em 2026.

Atualmente, apenas os estados do Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo ofereciam esse tipo de procedimento. A inclusão do Rio Grande do Norte à lista representa a ampliação do acesso a direitos básicos para a população trans no Nordeste.

Em entrevista ao BNews RN, o médico urologista Correia Neto, responsável pelas cirurgias, detalhou que os dois primeiros procedimentos ocorrerão nesta quinta-feira (21), no Hospital da Unimed, e na sexta-feira (22), na Promater, ambos na capital potiguar.

Segundo o especialista, outras duas cirurgias já foram autorizadas pelos planos de saúde. “O fluxo pelo SUS ainda está sendo estruturado junto à Prefeitura e ao Estado, mas a cirurgia precisa ser ofertada tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, porque consta no rol da ANS”, explicou.

A cirurgia de redesignação sexual, também chamada de cirurgia de afirmação de gênero, faz parte do Processo Transexualizador e envolve um acompanhamento multiprofissional que inclui avaliações psicológicas, psiquiátricas e hormonais antes da etapa cirúrgica. Esse processo é fundamental para garantir que a intervenção cirúrgica esteja alinhada à identidade de gênero e ao bem-estar da pessoa.

No caso das mulheres trans, o procedimento cirúrgico principal envolve a construção da vulva e do canal vaginal, conhecida como vaginoplastia.

Para realizar a cirurgia, é necessário ter mais de 21 anos e apresentar laudos médicos que comprovem um acompanhamento mínimo de um ano com endocrinologista, psiquiatra e psicólogo. Esses laudos são essenciais para reforçar a necessidade da cirurgia para a melhora da qualidade de vida e o alívio da disforia genital.

O procedimento cirúrgico leva, em média, entre cinco e seis horas. A recuperação ocorre em etapas, mas o retorno às atividades habituais costuma acontecer em cerca de dois meses, conforme explicou Correia Neto.

Como o procedimento integra o rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), tanto o Sistema Único de Saúde (SUS) quanto os planos de saúde são obrigados a oferecer a cobertura, sem custos para as pacientes. Essa obrigatoriedade assegura o acesso equitativo à saúde.

É importante ressaltar que o termo “redesignação sexual” é o mais adotado por especialistas e pela medicina, superando expressões como “mudança de sexo”. Isso porque “redesignação sexual” — também chamada de afirmação de gênero — descreve de forma mais precisa a adequação das características físicas e genitais à identidade de gênero da pessoa, enquanto “mudança de sexo” pode transmitir a ideia de uma transformação superficial, o que não reflete a complexidade do processo.

O processo vai além da cirurgia e integra o chamado Processo Transexualizador, política pública do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao atendimento integral de travestis e pessoas transexuais. A política garante acompanhamento multiprofissional, incluindo suporte psicológico e social, terapia hormonal (hormonização) e procedimentos cirúrgicos para adequação das características corporais e genitais à identidade de gênero do paciente.

Entre os procedimentos cirúrgicos que integram o Processo Transexualizador estão a vaginoplastia, voltada para mulheres trans, e cirurgias masculinizantes, como a neofaloplastia e a metoidioplastia, destinadas a homens trans.

Classificação Indicativa: Livre

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