INVESTIMENTO EM ENERGIA LIMPA

Rio Grande do Norte capta R$ 1,58 bilhão do BNB para energias renováveis desde 2023

Painel solar e turbina eólica em paisagem do Rio Grande do Norte.
Financiamentos do BNB para energias renováveis no Rio Grande do Norte impulsionam a economia local e a transição energética.

Estado potiguar lidera captações do Banco do Nordeste para o setor desde 2023, com foco em fontes eólicas e solares, e projeta novos aportes bilionários.

O Rio Grande do Norte alcançou a marca de R$ 1,58 bilhão em financiamentos do Banco do Nordeste (BNB) destinados a projetos de energias renováveis desde 2023. A cifra representa cerca de 44,8% do total de R$ 3,5 bilhões contratados pelo programa Nova Indústria Brasil (NIB) no estado potiguar até abril de 2026, consolidando o RN como um polo estratégico para a geração de energia limpa e o desenvolvimento de novas tecnologias no setor. A perspectiva é de que novos aportes bilionários impulsionem ainda mais o segmento neste semestre.

Em 2026, apenas no primeiro quadrimestre, o estado já havia contratado R$ 74,3 milhões por meio do NIB, direcionados a iniciativas de produção industrial sustentável. Essas captações integram um plano nacional que prevê investimentos de R$ 300 bilhões até 2026, administrados pelo BNDES, Financiadora de Estudos e Projetos e Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, com o BNB atuando como agente repassador de crédito.

O Banco do Nordeste informa que as propostas para financiamentos em infraestrutura energética no Rio Grande do Norte já somam R$ 1,5 bilhão para 2026. Há ainda uma projeção otimista de que o segmento de energias renováveis alcance R$ 4 bilhões em contratações até 2033. A instituição financeira trabalha com demanda espontânea, liberando crédito após análise criteriosa dos projetos, e os números atuais refletem uma projeção baseada na procura e no orçamento disponível.

Os recursos financiados pelo BNB visam apoiar cadeias produtivas sustentáveis, infraestruturas que elevam a qualidade de vida e iniciativas de descarbonização. A atuação do banco abrange os estados nordestinos, além de partes de Minas Gerais e do Espírito Santo. No âmbito do NIB, além do potencial em energias renováveis, o RN também recebe investimentos em cadeias agroindustriais, no complexo industrial da saúde e em infraestrutura de saneamento.

Analisando as contratações específicas no RN no primeiro quadrimestre de 2026, os financiamentos foram distribuídos entre cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais (R$ 37,4 milhões), complexo econômico-industrial da saúde (R$ 7,2 milhões), infraestrutura, moradia e mobilidade sustentáveis (R$ 27 milhões) e descarbonização, transição energética e bioeconomia (R$ 2,75 milhões). No acumulado nacional, entre janeiro e abril de 2026, o BNB destinou R$ 2,3 bilhões a todos os estados de sua abrangência.

O potencial do Rio Grande do Norte para energias renováveis é um destaque, com financiamentos voltados para parques solares e eólicos e unidades de geração distribuída. O estado explora alternativas inovadoras como o hidrogênio verde e a energia eólica offshore, visando a descarbonização da economia e a diversificação de sua matriz energética limpa.

Sérgio Azevedo, presidente da Comissão Temática de Energias Renováveis (Coere), expressou preocupação com o volume inicial de financiamentos em 2026, alertando para a necessidade de melhorias. Ele ressalta que, para que a energia limpa continue contribuindo para a economia do estado, é fundamental uma legislação mais atrativa aos investidores. Azevedo vê um "potencial enorme" para o RN captar recursos do NIB, mas enfatiza a urgência na modernização legislativa e na solução de gargalos, como os cortes de geração, para evitar a migração de investidores para outras regiões.

Apesar dos desafios, Azevedo destaca a qualidade da estrutura e a qualificação profissional do RN, mencionando instituições como o Senai e a Faeti como pilares para a consolidação da liderança estadual em energias renováveis. Darlan Santos, presidente do Cerne, reforça que a disponibilidade de energia renovável no RN é um fator decisivo para a produção de hidrogênio verde, impulsionando combustíveis limpos e insumos para fertilizantes, além de viabilizar o beneficiamento de minério de ferro com hidrogênio verde.

Santos aponta o projeto Porto Verde, em Caiçara do Norte, como um empreendimento alinhado às diretrizes da nova indústria nacional, focado no mercado de energia eólica offshore e hidrogênio verde. Ele avalia que essa "nova indústria" tem o potencial de gerar empregos mais perenes e qualificados, agregando valor contínuo à economia, diferentemente do modelo mais sazonal de construção de usinas eólicas e solares convencionais.

Lorena Roosevelt, gerente do Polo Sebrae de Energias Renováveis, percebe forte aderência do NIB no RN, impulsionada pela liderança em geração de energias limpas. Ela aponta que os desafios de modernização da infraestrutura, diversificação da matriz elétrica, introdução de novas tecnologias e armazenamento de energia demandam oferta de crédito para otimizar oportunidades. Roosevelt enfatiza que o próximo ciclo de desenvolvimento dependerá da combinação de segurança jurídica, acesso ao crédito, fortalecimento da infraestrutura elétrica, atração de carga industrial, e adoção de novas tecnologias e inteligência artificial.

Williman Oliveira, presidente da Aper, acrescenta que o RN tem potencial para atrair recursos do NIB e que a atração de grandes indústrias consumidoras de energia excedente seria uma oportunidade estratégica. Ele pondera que o avanço depende de investimentos em infraestrutura e logística, como portos e rodovias. Oliveira sugere que o estado, apesar de não sofrer com falta de capacitação, precisa de mais industrialização e crescimento organizado, citando a Fiern e o CTGás como exemplos de preparação de mão de obra qualificada.

Jeová Lins, superintendente do BNB no RN, destaca a sustentabilidade como foco da instituição e o RN como estado de referência, especialmente em renováveis. Ele afirma que o retorno dos créditos tem sido positivo na geração de emprego e renda, mesmo diante de entraves como o "curtailment" – cortes de geração de energia pelo ONS. Lins revela que o BNB pretende financiar linhas de transmissão e data centers, e que não há inadimplência no setor, apesar dos geradores terem sentido os efeitos dos curtailments em 2025.

A ampliação de linhas de transmissão e o desenvolvimento de data centers são vistos como soluções para mitigar os impactos dos cortes de geração e consumir o excesso de energia. A resolução para licenciar sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) foi aprovada em 2026, e a de data centers está em tramitação. Um potencial cliente de data centers já tem um projeto com carta-consulta, cujo financiamento pode chegar a R$ 919 milhões. O BNB exige medidas compensatórias, como investimentos em saneamento, estradas e educação, na instalação dos projetos.

O Rio Grande do Norte se posicionou como o quinto estado com a maior soma de recursos vinculados à NIB desde 2023 entre os 11 atendidos pelo BNB, com R$ 3,52 bilhões. Ele fica atrás de Bahia (R$ 7,45 bilhões), Ceará (R$ 6,33 bilhões), Minas Gerais (R$ 4,58 bilhões) e Pernambuco (R$ 3,62 bilhões). Esses dados reforçam a importância estratégica do RN na agenda nacional de desenvolvimento e transição energética.

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