ALERTA MUNDIAL OMS
Retiradas de EUA e Argentina abalam OMS em meio a surtos e dívida
79ª Assembleia da Saúde inicia com desafios gigantes e Estados Unidos em débito com a organização.
A 79ª Assembleia Mundial da Saúde iniciou seus trabalhos em Genebra, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, com uma profunda preocupação sobre o futuro da cooperação global em saúde. Em pauta, os Estados-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) enfrentam o desafio dos recentes surtos de hantavírus e ebola, enquanto a incerteza gerada pelas anunciadas saídas dos Estados Unidos e da Argentina ameaça a capacidade da organização de responder a crises sanitárias globais e de mobilizar recursos essenciais para proteger a dignidade e a vida de milhões de pessoas.
Embora o raro surto de hantavírus em um cruzeiro, que chamou a atenção mundial, não conste oficialmente na agenda, o tema deve ocupar um lugar de destaque nas discussões, assim como o novo surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). Ambos os eventos realçam a urgência da ação coordenada em saúde pública.
Uma fonte diplomática, que preferiu manter o anonimato, revelou que será crucial observar como a OMS utilizará a gravidade desses dois surtos para "pressionar Estados Unidos e Argentina a não abandonarem" a organização, reforçando a necessidade de união em momentos de crise.
Apesar da situação global "continuar frágil", a OMS teve sucesso em mobilizar a maior parte dos recursos necessários para os próximos dois anos, conforme declarou à AFP Surie Moon, codiretora do Centro de Saúde Global do Instituto de Pós-Graduação de Genebra. No entanto, a sustentabilidade dessa mobilização é questionada com as saídas em curso.
Divisões
A persistente divergência entre países ricos e países em desenvolvimento impediu, por exemplo, avanços na peça-chave que falta no histórico tratado sobre pandemias de 2025 da OMS. Analistas agora preveem que as negociações prosseguirão por mais um ano, atrasando um acordo vital para futuras crises.
O presidente americano Donald Trump entregou à OMS a notificação de retirada de seu país no primeiro dia de seu segundo mandato, em janeiro de 2025. O aviso tinha prazo de um ano para ser efetivado, tornando a saída dos Estados Unidos oficial em janeiro de 2026. A Argentina aderiu à iniciativa americana pouco depois, com seu processo ainda em fase de deliberação.
Os Estados Unidos reservaram o direito de abandonar a organização quando aderiram à OMS em 1948, sob a condição de um aviso prévio de um ano e o cumprimento integral de suas obrigações financeiras para o ano fiscal. Embora o período de aviso prévio já tenha expirado, Washington ainda não pagou suas contribuições de 2024 e de 2025, devendo quase 260 milhões de dólares (1,3 bilhão de reais) — um valor que faz falta em iniciativas de saúde global.
Quando o conselho executivo da OMS se reuniu em janeiro de 2026, Israel apresentou uma resolução para aprovar a saída da Argentina. Espera-se que os países debatam essa proposta durante a atual assembleia, mas nenhuma palavra foi citada sobre a saída, já efetivada, dos Estados Unidos, focando a discussão no caso argentino.
Campanha de Eleição
A assembleia ocorre enquanto inicia o processo para a eleição, no próximo ano, de um novo Diretor-Geral da OMS. Nenhuma candidatura foi apresentada até o momento, mas alguns anúncios devem acontecer durante a semana, prometendo movimentar os bastidores da organização.
Também estão sobre a mesa diversas resoluções delicadas, incluindo textos sobre a Ucrânia, os territórios palestinos e o Irã, que podem provocar debates complexos e acirrar divisões geopolíticas.
Grande parte das discussões desta semana se concentrará em definir se deve ser iniciado um processo formal de reforma da chamada "arquitetura da saúde global", uma série de organizações que nem sempre trabalham em conjunto. Um eixo central será garantir que o processo não implique sacrificar temas "polêmicos", como o clima e os direitos à saúde sexual e reprodutiva, especialmente no contexto da redução do financiamento internacional para a ajuda humanitária. A decisão impactará diretamente a vida de comunidades vulneráveis.
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