GEOPOLÍTICA E RECURSOS
Renan Santos anuncia estratégia para travar acordos de terras raras
O pré-candidato à Presidência condiciona a exploração mineral à transferência de tecnologia para o Brasil em discurso realizado em 19 de julho de 2026.
O pré-candidato à Presidência do Brasil, Renan Santos (Missão), anunciou em 19 de julho de 2026 que pretende suspender acordos envolvendo a exploração de terras raras no país. A declaração, feita durante um evento com apoiadores em Goiânia, estabelece que o acesso às reservas nacionais passará a ser condicionado à transferência de tecnologia e à instalação de polos de produção de componentes no território brasileiro.
A medida visa combater a exportação de matéria-prima bruta. Ao discursar no Setor Bela Vista, o político defendeu que a riqueza mineral do país deve ser utilizada como alavanca para um projeto geopolítico voltado à industrialização, evitando que reservas estratégicas sejam negociadas sem benefícios diretos para a economia local.
Atualmente, o cenário de exploração inclui a empresa Serra Verde, sediada em Minaçu (GO). A mineradora, adquirida pela USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, destaca-se por ser a única operação fora da Ásia capaz de produzir em escala comercial elementos magnéticos essenciais para a transição energética global, como motores de veículos elétricos e turbinas eólicas.
Para Renan Santos, o Brasil possui 20% das reservas globais do recurso e deve utilizar esse protagonismo para negociar com potências como Estados Unidos, Japão e Europa. A proposta é clara: permitir o acesso ao material apenas se houver contrapartida tecnológica. A proposta é uma diretriz de campanha e não possui, até o momento, força de decreto, ficando sujeita às diretrizes futuras de uma eventual gestão na Presidência.
O impacto socioeconômico dessa política focaria na transição de um modelo de exportador de minério para um polo industrial tecnológico. Especialistas apontam que a exploração em Minaçu é complexa devido à necessidade de isolamento de 17 elementos químicos distintos, processo que demanda alto rigor técnico e sustentabilidade, iniciada comercialmente em janeiro de 2024.
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