SEGURANÇA AÉREA EM FOCO
Relatório do Cenipa revela falhas omitidas em manutenção da Voepass
Documento aponta omissão de registros técnicos em voos anteriores ao acidente que vitimou 62 pessoas em 2024. Ex-funcionário relatou pressão por disponibilidade de frota.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que falhas críticas no sistema de degelo da aeronave PS-VPB foram omitidas nos registros formais da Voepass antes do voo 2283. A decisão de divulgar o relatório final detalha uma sucessão de problemas mecânicos ignorados que culminaram na tragédia de 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), resultando na perda de 62 vidas.
A gravidade da situação reside na cultura organizacional relatada por um ex-funcionário, que em 2025 descreveu a prática de tratar problemas técnicos apenas via comunicação verbal, evitando o registro oficial no Technical Logbook (TLB). Essa conduta, segundo o Cenipa, impediu que a empresa adotasse medidas preventivas obrigatórias, como a troca da aeronave ou a suspensão do voo, comprometendo a segurança dos passageiros e a dignidade das famílias que aguardavam o retorno de seus entes queridos.
Conforme o relatório, a aeronave enfrentou falhas nos boots do sistema Airframe De-Icing em três voos anteriores ao acidente. Em episódios específicos, alertas de gelo foram detectados, mas a ausência de anotações no diário de bordo fez com que a falha não fosse investigada pelos setores de manutenção, criando um ciclo de negligência que colocou a tripulação e os passageiros em risco contínuo.
O ex-funcionário destacou que a pressão pela disponibilidade da frota criava um cenário onde, sem o registro formal, não havia ação corretiva. "Se o piloto reporta, essa aeronave tinha ficado em Ribeirão Preto. Com certeza um acidente poderia ter sido evitado", afirmou o profissional em entrevista ao g1.
Em nota, a Voepass reforçou que sempre adotou procedimentos de segurança e que sua tripulação era devidamente certificada. A empresa enfatizou sua colaboração com o Cenipa e ressaltou a adoção de padrões internacionais, como a certificação IOSA. O relatório do Cenipa, de natureza estritamente preventiva, não possui caráter de julgamento criminal, servindo como guia para evitar a repetição de falhas sistêmicas na aviação civil.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário