GESTAO FISCAL SOB RISCO

Relator da LDO na Assembleia Legislativa aponta fragilidade fiscal no superávit de 2027

Plenário da Assembleia Legislativa durante sessão de votação orçamentária.
Discussão da LDO na Assembleia Legislativa prioriza transparência orçamentária.

Deputado José Dias questiona projeção de superávit do governo Fátima Bezerra e alerta para compressão de gastos que ameaça serviços essenciais.

A Assembleia Legislativa prepara para a sessão de quarta-feira, 15 de julho de 2026, a votação decisiva do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A pauta, que antecede o início do recesso legislativo, concentra a discussão em 20 emendas que buscam ajustar os rumos financeiros do Estado para o próximo exercício. O debate ganha contornos de urgência diante da avaliação técnica sobre a viabilidade das contas propostas pelo Executivo.

A proposta original, encaminhada pelo governo Fátima Bezerra (PT), projeta um superávit primário de R$ 549,3 milhões para 2027. Contudo, em seu relatório já aprovado na Comissão de Fiscalização e Finanças (CFF), o deputado estadual José Dias (PL) classificou a meta como "fiscalmente frágil". Segundo o parlamentar, o resultado, embora matematicamente possível, depende de hipóteses arriscadas, como uma reversão fiscal superior a R$ 2 bilhões e uma compressão severa no custeio da máquina pública que, na prática, pode inviabilizar o funcionamento de serviços básicos.

O parlamentar destaca que o ano de 2027 marca o encerramento do Plano Plurianual Participativo 2024-2027, instituído pela Lei Estadual nº 11.671, de 10 de janeiro de 2024. A LDO atua como a ponte entre o planejamento estratégico atual e a transição para a próxima legislatura. O relatório aponta que o crescimento das despesas com pessoal, que deve atingir 73,57% da Receita Corrente Líquida (RCL) em 2027, consome o espaço orçamentário necessário para investimentos e outras despesas correntes.

Ao analisar a estrutura das contas, José Dias alertou que o superávit projetado não advém de uma gestão otimizada de receitas, mas de uma contenção artificial de despesas que contraria as projeções contidas nos anexos de metas anteriores. "Retirada essa compressão, o superávit primário de R$ 549 milhões simplesmente não existe. O resultado projetado é menos uma meta fiscal e mais uma hipótese de contenção", afirmou o relator.

O relatório também sinaliza preocupação com o passivo de restos a pagar e o impacto da dívida pública, que apresenta trajetória de alta. O deputado reforçou que, embora não se aponte violação direta dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, a execução orçamentária tem onerado o Tesouro Estadual, especialmente com a pressão previdenciária e os precatórios, que figuram como desafios estruturais de longo prazo.

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