FORÇA INJUSTIFICADA
Reitoria da USP usa PM para desocupar prédio; 4 detidos
Operação violenta aconteceu por volta das 4h15 e deixou dezenas de feridos, acusa DCE Livre; ilegalidade é questionada.
A Polícia Militar utilizou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes na madrugada deste domingo, 10 de maio de 2026, para desocupar a Reitoria da USP, resultando na detenção de quatro estudantes. A ação, que ocorreu por volta das 4h15 e deixou dezenas de manifestantes feridos, foi repudiada pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes) Livre da Universidade de São Paulo, que acusa a gestão do reitor Aluísio Segurado e do chefe de gabinete Edmilson Dias de Freitas de optar pela força em vez do diálogo com a comunidade acadêmica.
A ocupação da Reitoria começou na quinta-feira, 7 de maio de 2026, após os estudantes cobrarem a retomada de negociações sobre políticas de permanência estudantil, como moradia digna e alimentação de qualidade. Nos últimos dias, institutos e diretorias da Universidade publicaram notas criticando o movimento e declarando apoio à Reitoria.
Em nota oficial, o DCE Livre da USP relatou que “dezenas de policiais militares invadiram a ocupação”, formando um "corredor polonês" para agressão e acusando a administração universitária de ignorar as reivindicações de milhares de alunos. A entidade estudantil questiona a legalidade da operação, afirmando que não havia decisão judicial de reintegração de posse autorizando a desocupação. O diretório ainda destacou que a ocupação já durava mais de 60 horas sem qualquer registro de violência ou ameaça por parte dos estudantes.
“Por que a Polícia Militar esperou a madrugada, enquanto estudantes dormiam, para realizar a operação? Por que não houve mediação? Por que agora? Por que os estudantes foram detidos e não há transparência?”, indagou o DCE na nota, apontando que a ação ocorreu de forma abusiva e ilegal, mesmo para desocupações com ordem judicial, que não permitem operações entre 21h e 5h.
Além dos feridos, a operação policial resultou na destruição de materiais e pertences pessoais dos manifestantes. O DCE denunciou que policiais teriam vasculhado mochilas e barracas sem acompanhamento pericial, o que configura outra irregularidade.
A representação estudantil também associou a ação à política de segurança pública do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, classificando o episódio como “um dos mais violentos da história recente” da Universidade, ocorrido em pleno Dia das Mães. Os estudantes questionam a Reitoria: “Há violência maior ao 'patrimônio da universidade' do que agredir seus próprios estudantes? As diretorias e os docentes da USP serão coniventes com uma Reitoria que escolheu, mesmo depois dos múltiplos apelos ao diálogo, protagonizar um dos episódios mais violentos da história recente dentro da nossa universidade?”
Os quatro estudantes detidos foram encaminhados à 7ª DP, mas o DCE Livre da USP Alexandre Vannucchi Leme afirma que não há informações claras sobre as motivações para as detenções ou as condutas que lhes foram imputadas. A entidade reafirma seu compromisso com a luta: “Nossos passos vêm de longe, nossa história é de lutas e não iremos parar por aqui.”
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