ALIADOS HISTÓRICOS

Rei Charles III celebra laços com EUA e mira futuro da Otan

O Rei Charles III discursa perante uma sessão conjunta do Congresso dos EUA
O Rei Charles III discursa perante uma sessão conjunta do Congresso dos EUA

Em visita de Estado, monarca britânico reforça parceria em defesa e segurança global diante de tensões diplomáticas em Washington.

Rei Charles III defendeu a "aliança histórica" entre Reino Unido e Estados Unidos, sublinhando o papel crucial da parceria em defesa e segurança global, durante um discurso no Congresso norte-americano nesta terça-feira, 28 de abril de 2026. A declaração do monarca, parte de uma visita de Estado, buscou reafirmar os laços diplomáticos em um momento de crescentes tensões políticas e desafios internacionais, reforçando a importância da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para a estabilidade mundial.

Em sua fala, o Rei Charles III enfatizou a resiliência e a profundidade dos vínculos entre as nações. "A história do Reino Unido e dos Estados Unidos é, em sua essência, uma história de reconciliação, renovação e uma parceria extraordinária. A partir das amargas divisões de 250 anos atrás, construímos uma amizade que se transformou em uma das alianças mais importantes da história humana", disse o monarca, ressaltando como a união transcendeu o passado para moldar um futuro de cooperação.

O discurso, porém, ocorre em um momento de tensão nas relações bilaterais. Em março, Donald Trump afirmou que o vínculo com o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, "já não é mais o mesmo", após divergências relacionadas ao apoio do Reino Unido a ações militares conduzidas por Washington e Israel contra o Irã. Além disso, a relação dos EUA com a Otan também enfrenta críticas frequentes do ex-presidente Donald Trump, colocando à prova a coesão da aliança militar ocidental.

A crise diplomática entre Estados Unidos e Reino Unido se aprofundou com a posição de Donald Trump em relação a Keir Starmer, questionando a liderança e a capacidade militar britânica. A situação se agravou ainda mais com o vazamento de um documento do Pentágono, indicando uma possível revisão do apoio histórico de Washington ao Reino Unido na disputa pelas Ilhas Malvinas. Este território, sob controle britânico, é historicamente reivindicado pela Argentina. O governo britânico reagiu imediatamente, reafirmando sua soberania sobre as ilhas, enquanto o possível recuo dos EUA é interpretado como uma forma de pressionar aliados da Otan a ampliar sua participação em conflitos internacionais. Este cenário ganha ainda mais complexidade pelo alinhamento político entre Donald Trump e o presidente argentino Javier Milei, visto que a Argentina reivindica as Malvinas.

Na segunda-feira, 27 de abril de 2026, Charles III se reuniu com Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. O então presidente e a primeira-dama, Melania Trump, receberam o monarca e a rainha Camilla em uma cerimônia marcada por formalidade e troca de presentes. No encontro, Donald Trump adotou um tom de aproximação, afirmando que os Estados Unidos "não têm amigos mais próximos que os britânicos" e destacando a chamada "relação especial" entre os dois países.

Ao tratar da parceria militar, o Rei Charles III afirmou que a colaboração entre os países é central para a estabilidade global. Segundo ele, "o compromisso e a expertise das Forças Armadas dos Estados Unidos e de seus aliados estão no coração da Otan, comprometidos com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns".

O monarca também destacou a atuação da Otan em momentos históricos, como após os ataques de 11 de Setembro, e mencionou a guerra da Ucrânia. As referências podem ser interpretadas como um recado indireto em defesa da coordenação entre aliados, em contraposição a iniciativas unilaterais que podem ser adotadas por Donald Trump em temas internacionais. "Imediatamente após o 11 de Setembro, quando a Otan invocou o Artigo 5 pela primeira vez e o Conselho de Segurança das Nações Unidas se uniu diante do terror, respondemos juntos ao chamado", afirmou. "Hoje, essa mesma determinação inabalável é necessária para a defesa da Ucrânia e de seu povo corajoso – a fim de garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura."

Ao longo do discurso, Charles III ressaltou a importância da cooperação entre aliados e da defesa de valores democráticos. Também relembrou que britânicos e norte-americanos estiveram "ombro a ombro" em diferentes conflitos e momentos decisivos para a segurança internacional. O rei fez ainda referências à independência dos Estados Unidos, que completa 250 anos em 2026. "A nossa é uma parceria que nasceu da disputa, mas nem por isso é menos forte. Portanto, podemos discernir que as nossas nações são, na verdade, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade – um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns em que a nossa governança está enraizada até hoje", concluiu o monarca.

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