INVESTIGAÇÃO EXTREMA

Rede de hackers 'Os Meninos' operava para perseguir desafetos de Daniel Vorcaro, aponta PF

Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, braço direito de Daniel Vorcaro, teria coordenado grupo de hackers.
Documentos da PF indicam que Luiz Phillipi Mourão, apelidado de Sicário, coordenava o grupo "Os Meninos".

Grupo cibernético, liderado por Luiz Phillipi Mourão, teria atuado para desestabilizar perfis e obter dados sigilosos a mando do banqueiro. PF identificou uso de táticas de DDoS e invasão de nuvens.

Documentos da Polícia Federal (PF) indicam que Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário e braço direito de Daniel Vorcaro, não apenas coordenava o grupo "A Turma", voltado à intimidação e ocultação patrimonial para o Banco Master, mas também liderava "Os Meninos". Este segundo grupo é investigado por hackear desafetos do banqueiro.

Após a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, em 4 de março de 2026, a PF reuniu evidências de que David Henrique Alves chefiava a invasão digital. Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier também foram identificados como integrantes.

Conforme os levantamentos da PF, as ações do grupo "Os Meninos" incluíam o emprego de especialistas em ataques cibernéticos. Ferramentas como robôs e técnicas de sobrecarga de tráfego (DDoS) foram utilizadas para desestabilizar páginas que publicavam conteúdo crítico a Daniel Vorcaro.

A investigação aponta que o grupo teria recorrido a métodos de acesso indevido a contas e serviços digitais de terceiros. Isso envolvia a entrada em ambientes de armazenamento em nuvem e o acesso a dados protegidos, como os do iCloud.

Em um dos episódios investigados, o grupo "Os Meninos" teria derrubado um perfil no Instagram que criticava um evento do Banco Master realizado em Londres. A ação teria sido determinada por Daniel Vorcaro, segundo a PF.

Conversas interceptadas pelos investigadores revelam que Vorcaro teria solicitado a Sicário a derrubada de um perfil, expressando extremo descontentamento com a crítica e o fato de a pessoa ter se voltado contra sua filha. A mensagem interceptada dizia: “Mas antes disso preciso saber quem fez. A pessoa criou isso e foi atrás da minha filha, você acredita nisso? Esse filha da puta quero achar nem que seja no inferno.”

A PF também identificou o uso irregular de portais de Law Enforcement Information Request. Estas plataformas são destinadas a solicitações legítimas de autoridades competentes. O grupo teria usado credenciais institucionais para obter levantamentos cadastrais e pressionar plataformas digitais a remover perfis, alegando falsamente envolvimento em crimes graves como pedofilia.

Os dados da investigação indicam que, para conferir aparência de legalidade às solicitações, teriam sido enviados ofícios com supostas assinaturas de servidores públicos.

Em um caso específico, um ofício supostamente emitido pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Geoc), do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), foi utilizado como se fosse uma solicitação legítima encaminhada à Meta.

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