CRIME FINANCEIRO

Receita Federal: Fake news do Pix beneficiaram crime com fintechs

Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, falando em uma coletiva de imprensa.
Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, concedeu entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (28).

Operação Fluxo Oculto identificou seis fintechs que movimentaram R$ 26 bilhões e atuavam como braços do PCC. Secretário da Receita Federal aponta fake news como tática para impedir fechamento de brechas regulatórias.

A disseminação de notícias falsas sobre o Pix auxiliou organizações criminosas na tentativa de manter brechas regulatórias que beneficiavam fintechs ligadas ao PCC. A declaração foi feita por Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, nesta quinta-feira, 28/05/2026, após a deflagração da Operação Fluxo Oculto. A ação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por meio do Gaeco e em conjunto com a Receita Federal, identificou seis novas fintechs que atuavam como braços financeiros do crime.

Barreirinhas relatou que o órgão enfrentou uma intensa campanha de desinformação quando buscou fechar o vácuo regulatório que permitia às fintechs operar com menos transparência que bancos tradicionais. Segundo ele, a intenção era impedir a fiscalização sobre essas instituições que, de fato, eram utilizadas por organizações criminosas para lavagem de dinheiro.

"Nós vimos quem era o interessado nisso: as organizações criminosas que se valiam e valem ainda dessas fintechs para lavagem de dinheiro", declarou o secretário, referindo-se às mentiras de que a Receita iria monitorar ou tributar o Pix.

A Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em diversas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. Instituições financeiras localizadas na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, também foram alvos da ação.

Arquitetura financeira do crime desvendada

A investigação revelou uma complexa estrutura de lavagem de dinheiro, com uso de "contas-bolsões" e fundos de investimento para ocultar os verdadeiros beneficiários dos recursos. As seis fintechs identificadas movimentaram juntas aproximadamente R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Uma única instituição teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em espécie, prática considerada irregular para esse tipo de entidade. Durante a própria operação, foram encontrados R$ 1 milhão em espécie depositados em uma das fintechs investigadas.

Barreirinhas classificou a Operação Fluxo Oculto como a "maior operação contra organizações criminosas" pela sua inovação e cooperação entre órgãos do Estado no combate ao pilar financeiro do crime organizado. Ele citou operações anteriores como Carbono Oculto, Spare, Poço de Lobato, Sem Refino e Compliance Zero.

Avanços regulatórios impulsionados pela investigação

As investigações levaram a avanços regulatórios significativos. A Receita Federal passou a receber informações sobre beneficiários finais de fundos de investimento. Além disso, as declarações de criptoativos foram alinhadas ao padrão internacional da OCDE, viabilizando a troca de informações fiscais com outros países. Segundo Barreirinhas, essa inteligência cooperativa é o caminho para desmantelar o crime organizado no Brasil.

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