VIOLÊNCIA NA FRONTEIRA

Morte de traficante no Paraguai impulsionou guerra de facções no Acre

Cena de crime envolvendo disputa de facções criminosas na fronteira.
A morte de Jorge Rafaat Toumani em 2016 alterou a dinâmica do crime organizado na região amazônica.

A execução de Jorge Rafaat Toumani em 2016 desestabilizou o tráfico internacional, desencadeando uma disputa sangrenta entre PCC e Comando Vermelho no Norte do Brasil.

A execução de Jorge Rafaat Toumani, conhecido como “Rei da Fronteira”, marcou uma mudança profunda na dinâmica do crime organizado na América do Sul. O assassinato, ocorrido em 15 de junho de 2016, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, foi realizado com uma metralhadora calibre ponto 50 capaz de perfurar blindagens, em uma operação que contou com cerca de 100 homens e foi atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em entrevista à coluna, a comandante-geral da Polícia Militar do Acre, coronel Marta Renata Freitas, explicou que a morte do traficante não foi um evento isolado, pois sua rede de influência alcançava o Acre, uma rota estratégica para o escoamento de drogas provenientes do Peru e da Bolívia. A eliminação do intermediário forçou uma reconfiguração do mercado ilícito, que se transformou em uma disputa violenta entre o PCC e o Comando Vermelho (CV) por territórios e corredores de tráfico.

O impacto dessa reorganização foi imediato nas estatísticas de segurança pública. O Acre enfrentou o período mais violento de sua história recente, com o número de mortes violentas intencionais saltando de 221, em 2015, para 498 em 2017, um aumento de 125% em apenas dois anos. O cenário foi agravado pela tentativa de facções nacionais e grupos locais de dominar comunidades e rotas logísticas.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) corrobora a análise da PM, indicando que a morte de Rafaat pressionou organizações rivais a buscarem novos caminhos para a movimentação de entorpecentes. Embora o Ipea ressalve que não se trata de uma relação de causalidade automática, os dados confirmam a correlação entre a execução e a escalada de confrontos em cidades como Rio Branco.

Atualmente, o cenário de violência apresenta sinais de arrefecimento após um pico registrado em anos anteriores. Segundo a coronel Marta, o equilíbrio da disputa regional pende hoje para o Comando Vermelho, embora células de outros grupos ainda mantenham presença no território acreano.

A queda nas estatísticas de mortes violentas, que chegaram a 193 em 2025 e registram 91 casos até o momento em 2026, é atribuída pela comandante ao reforço na atuação conjunta entre Polícia Militar, Polícia Civil, Secretaria de Segurança e órgãos federais. Medidas como a instalação de barreiras nas vias de acesso às fronteiras têm sido fundamentais para o controle da criminalidade, evidenciando que, mesmo sem competência constitucional específica para policiamento de fronteira, as forças estaduais têm sido essenciais no enfrentamento ao crime organizado.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário