ALERTA SANITÁRIO GLOBAL
RD Congo declara 17º surto de Ebola com 80 mortes em Ituri
Ministério da Saúde confirma cepa Bundibugyo e 246 casos suspeitos em 15 de maio de 2026. OMS libera US$ 500 mil para resposta urgente.
Com uma ameaça viral que já ceifou ao menos 80 vidas, o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo confirmou, na noite de 15 de maio de 2026, um novo e grave surto de Ebola na província de Ituri. A decisão de alertar a população e mobilizar recursos visa conter a disseminação da cepa Bundibugyo do vírus, cujos 246 casos suspeitos representam um desafio imenso para a dignidade e a sobrevivência das comunidades locais.
O ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba Mulamba, emitiu um comunicado detalhando a situação. Amostras testadas na quinta-feira, 14 de maio de 2026, confirmaram oito casos da cepa Bundibugyo do vírus Ebola nas zonas de saúde de Rwampara, Mongwalu e Bunia. Este cenário alarmante soma-se a 246 casos suspeitos registrados até o momento pelo ministério, evidenciando a rápida progressão da doença.
O caso índice suspeito, um reflexo doloroso da fragilidade da saúde local, foi o de uma enfermeira. Ela faleceu no Centro Médico Evangélico de Bunia após apresentar sintomas devastadores como febre alta, sangramentos, vômitos e uma fraqueza extrema, ilustrando a brutalidade do vírus na vida dos profissionais de saúde e pacientes.
Diante da emergência, o governo congolês agiu prontamente. Ativou seu centro de operações de emergência em saúde pública, reforçou a vigilância epidemiológica e laboratorial, e ordenou o envio célere de equipes de resposta. Tais medidas são cruciais para proteger a população e mitigar o impacto deste surto.
A principal agência de saúde pública da África já havia, em 15 de maio de 2026, confirmado o surto em Ituri, registrando até aquele momento 65 mortes. O CDCD (Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças) anunciou uma reunião urgente. Representantes do Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros globais se encontrarão para fortalecer a vigilância transfronteiriça, o preparo e os esforços de resposta. Esta coordenação é vital para evitar que a tragédia se expanda para além das fronteiras.
As mortes e os casos suspeitos foram predominantemente reportados nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara, com quatro óbitos confirmados laboratorialmente. Casos suspeitos também atingiram Bunia, a capital da província. A agência africana revelou que as descobertas iniciais apontam para uma cepa do vírus que não tem origem no Zaire, e o sequenciamento genético está em andamento para caracterizá-la melhor. Esta informação é alarmante, pois representa um novo desafio de saúde pública.
Jean-Jacques Muyembe, o renomado virologista congolês que codescobriu o Ebola e dirige o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica em Kinshasa, compartilhou à Reuters que, dos 16 surtos anteriores no Congo, apenas um não foi causado pela cepa do Zaire. A identificação de uma variante distinta complicará a resposta, explicou ele, uma vez que os tratamentos e vacinas atuais foram desenvolvidos especificamente contra a cepa do Zaire. A adaptabilidade do vírus coloca a ciência e a medicina em uma corrida contra o tempo.
A Africa CDC (Agência Africana de Controle e Prevenção de Doenças) expressou grande preocupação com o risco de disseminação acelerada. Isso se deve ao contexto urbano de Bunia e Rwampara, ao intenso fluxo populacional e à mobilidade ligada à mineração nas áreas afetadas, que estão perigosamente próximas a Uganda e ao Sudão do Sul. “Dado o intenso fluxo populacional entre as áreas afetadas e os países vizinhos, a rápida coordenação regional é essencial”, enfatizou Jean Kaseya, Diretora-Geral da Africa CDC, em comunicado. A vida de milhares de pessoas em toda a região está em jogo.
O Ministério da Saúde de Uganda já informou a morte de um cidadão congolês em Kampala devido à cepa Bundibugyo. Uganda declarou que o caso foi importado do Congo e que, felizmente, nenhum caso de transmissão local foi confirmado até o momento. A vigilância é máxima para evitar um cenário de contágio em seus próprios territórios.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) tomou conhecimento dos casos suspeitos em 5 de maio de 2026 e prontamente enviou uma equipe a Ituri para auxiliar na investigação. No entanto, as amostras coletadas inicialmente em campo testaram negativo, conforme relatou o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa na sexta-feira, 15 de maio de 2026. Somente um laboratório em Kinshasa confirmou os casos positivos na quinta-feira, 14 de maio de 2026, elevando o número total para 13 casos confirmados na época.
Em um esforço de resposta crucial, a OMS liberou US$ 500 mil de seu fundo de contingência para emergências. Este montante apoiará vigilância, rastreamento de contatos, testes laboratoriais e atendimento clínico, buscando proteger a vida e a saúde dos mais vulneráveis. A medida financeira destaca a seriedade e a urgência da crise.
Crise humanitária agravada por conflitos
Este novo surto de Ebola se desenrola em meio a uma crescente e complexa crise de segurança em Ituri. Confrontos entre milícias rivais têm ceifado a vida de dezenas de civis nas últimas semanas, agravando uma situação humanitária já precária. A violência deixou as instalações de saúde sobrecarregadas ou, pior, inoperantes em diversas partes da província, conforme alertou a Médicos Sem Fronteiras no início deste mês. A organização humanitária enfatizou as condições catastróficas de higiene em locais de deslocados, aumentando drasticamente o risco de surtos de doenças e comprometendo a dignidade humana.
Este é o 17º surto registrado no Congo desde a identificação do Ebola no país, em 1976. O surto anterior, na província de Kasai, foi declarado encerrado em 1º de dezembro de 2025, após três meses, contabilizando 45 mortes entre 64 casos. A doença pelo vírus Ebola é uma enfermidade grave e frequentemente fatal, endêmica nas vastas florestas tropicais do Congo. Ela se espalha por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, materiais contaminados ou indivíduos que sucumbiram à doença, conforme as orientações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC). A educação e a prevenção são pilares fundamentais para proteger as comunidades.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário