ALERTA ECONÔMICO
Rafaela Vitoria alerta para risco de inflação alta com estímulo ao consumo
Economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, aponta que gastos do governo e programas de crédito podem manter a inflação elevada, sinalizando possível pausa no ciclo de cortes de juros. Fenômeno El Niño e juros nos EUA também são citados como fatores de atenção.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, avaliou os desdobramentos da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central de cortar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, anunciada na quarta-feira, 17 de junho de 2026. Ela destacou que o estímulo excessivo ao consumo, impulsionado por gastos governamentais e programas de crédito, representa um risco para a manutenção da inflação em patamares elevados, o que pode levar a uma interrupção no ciclo de redução dos juros.
Em entrevista ao CNN Prime Time, Rafaela Vitoria explicou que a inclusão do risco fiscal no comunicado do Copom é um sinal importante. Segundo ela, o aumento de mais de 14% nos gastos federais acima da inflação nos primeiros meses do ano, aliado a novos programas governamentais e medidas de crédito subsidiado, tem estimulado a demanda e o consumo de forma significativa. "O governo vem trazendo novos programas, medidas de crédito subsidiado, e isso tem um risco de estimular ainda mais a demanda e manter essa inflação mais alta", alertou a economista.
Para Rafaela Vitoria, a reincorporação do risco fiscal ao comunicado sugere que o Copom já estaria sinalizando um possível responsável por uma eventual pausa no ciclo de cortes. Se os estímulos forem prolongados e o consumo permanecer aquecido, a inflação pode se manter em patamares altos, elevando o risco de interrupção da política de redução dos juros.
El Niño e inflação de serviços
O comunicado do Banco Central também mencionou o fenômeno El Niño como um fator de risco adicional, especialmente pelo potencial impacto na produção de alimentos. Rafaela Vitoria, contudo, ponderou que a inflação de alimentos e combustíveis é mais volátil. Ela destacou que o Copom tende a focar no reflexo desses itens sobre a inflação de serviços, e que o impacto de um aumento de preços de alimentos devido ao El Niño seria mais sentido no final de 2026, com reflexos na inflação de 2027.
A economista ressaltou que a principal preocupação no momento continua sendo a dinâmica da demanda interna. A decisão de manter a taxa de juros em patamares elevados ou de pausar os cortes está intrinsecamente ligada à capacidade do governo em controlar os gastos e a demanda agregada.
Juros nos Estados Unidos e impacto no Brasil
Questionada sobre a possibilidade de alta de juros nos Estados Unidos, um cenário que não estava inicialmente previsto pelo mercado, Rafaela Vitoria explicou que o impacto sobre a política monetária brasileira seria indireto, afetando principalmente o câmbio. "O principal fator que resulta de uma eventual alta de juros nos Estados Unidos é uma fuga de investidores", afirmou.
Segundo a economista, juros mais altos nos EUA atraem investidores em busca de maior rendimento, o que diminui o apetite por mercados emergentes como o Brasil e, consequentemente, pressiona o câmbio para cima. Essa desvalorização da moeda brasileira pode, por sua vez, gerar pressões inflacionárias adicionais. A decisão do Banco Central dos EUA sobre a taxa de juros é, portanto, um fator a ser monitorado de perto pela autoridade monetária brasileira.
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