BREXIT FAZ 10 ANOS

Queda de Keir Starmer coroa década de instabilidade no Reino Unido pós-Brexit

Foto de Keir Starmer em discurso público.
Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, enfrenta crise política no Reino Unido.

O fracasso da moderação de Keir Starmer em lidar com as consequências econômicas e políticas do Brexit culmina em turbulência, aproximando o Reino Unido de um cenário de instabilidade similar ao da Itália.

A decisão de apostar em moderação e distanciamento da retórica de esquerda, que marcou a ascensão do Partido Trabalhista ao poder há dois anos, fracassou em apresentar soluções para as sequelas do Brexit. Keir Starmer, à frente da legenda, viu sua tentativa de atender às demandas que emergiram da saída de Londres da União Europeia, em 2016, naufragar. O desfecho ocorre em um momento simbólico, quando se completam dez anos da proclamação do Brexit.

O revés de Starmer é resultado de uma convergência de fatores. A economia britânica, que registrou um crescimento modesto de 1,4% em 2025 e viu as projeções para 2026 serem rebaixadas, alimenta um pessimismo generalizado na população, conforme indicam pesquisas.

Agravando o cenário, erros estratégicos do primeiro-ministro abalaram sua autoridade. A nomeação de Peter Mandelson, figura associada ao caso Jeffrey Epstein, para o posto de embaixador nos Estados Unidos, gerou forte repercussão negativa interna. Externamente, Starmer enfrentou a pressão de Donald Trump, presidente americano, pelo uso de bases britânicas em operações contra o Irã. A insistência republicana culminou na autorização britânica para fins defensivos, enquanto bombardeiros B-1B e B-52 eram preparados para atacar a teocracia persa.

Essa conjuntura favoreceu o partido Reform UK, liderado por Nigel Farage. As vitórias regionais em maio impulsionaram o discurso populista que atribui à imigração as dificuldades econômicas do país, um dos pilares da decisão pelo Brexit. Desde o ano passado, a legenda de Farage lidera pesquisas de intenção de voto.

A pressão por eleições antecipadas, solicitada por Farage, em vez do processo interno de sucessão no Partido Trabalhista, sinaliza a profunda influência do trumpismo e de seus métodos na política britânica. A falha em oferecer respostas concretas à população, que acreditou que a saída da União Europeia traria prosperidade, deixou tanto a esquerda trabalhista quanto a direita conservadora em posições fragilizadas.

Com um sétimo primeiro-ministro em dez anos à vista, o Reino Unido se aproxima da volatilidade política outrora associada à Itália. Exemplos recentes na França, Alemanha e Itália demonstram que a ascensão de líderes oriundos do discurso pós-Brexit não é linear, mas a instabilidade no Reino Unido, antes tido como um modelo democrático ocidental, é inegável. A queda de Starmer marca, assim, o encerramento de uma década de incertezas e o prenúncio de novas dinâmicas políticas, com possíveis celebrações de figuras como Donald Trump, os Bolsonaros e líderes de regimes autoritários como Vladimir Putin e Xi Jinping.

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