Quartel do Exército que homenageia golpe de 64 mudará de nome após pedido do MPF

Quartel do Exército que homenageia golpe de 64 mudará de nome após pedido do MPF
FOTO: DIVULGAÇÃO
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A União reconheceu parte dos pedidos formulados pelo Ministério Público Federal (MPF) em ação civil pública ajuizada no início do ano passado que pedia que a 4ª Brigada De Infantaria Leve de Montanha, em Juiz de Fora, na Zona da Mata, hoje denominada Brigada 31 de Março, tenha seu nome modificado. O nome do quartel faz referência à data em que tropas mineiras foram mobilizadas e deflagraram o golpe militar de 1964.

A ação também conseguiu que a expressão “revolução democrática”, usada em documentos e sites oficiais da brigada militar, seja retificada. De acordo com o MPF, a reverência ao golpe militar é “incompatível com a Constituição e com o projeto Constituinte de um Estado Democrático de Direito”. O órgão ainda afirma que a homenagem ao golpe “contraria a versão oficial do Estado brasileiro sobre os fatos”.

Contudo, o órgão ainda defende a necessidade de reparação ao dano causado à coletividade pela “desinformação” propagada pela brigada. “A ação destaca que o ato ilícito de homenagem e apologia ao golpe militar não é algo danoso que aconteceu no passado, mas continua ocorrendo neste momento, de forma permanente”, informa o MPF.

O órgão sustenta que apagar a homenagem ao golpe militar sem reparar os danos causados significa “negar o direito à verdade e à memória”. “A denominação conferida à 4ª Brigada, o monumento com o nome ostensivo no local e a justificativa apresentada para tanto, desinformam e relativizam os crimes da ditadura, propiciando, com isso, a sua repetição”, aponta um dos trechos da manifestação juntada aos autos.

Como forma de reparação, o MPF quer a criação de um espaço de memória, com a indicação no muro externo ou em outro local exterior da 4ª Brigada de Infantaria, de que, no dia 31 de março de 1964, tropas militares partiram de Juiz de Fora e iniciaram um golpe de Estado que interrompeu a democracia brasileira.

"Não se trata de estabelecer um monumento comemorativo ou tampouco informar sobre determinado evento histórico, mas de esclarecer a sociedade que o golpe de Estado de 1964 é repudiado e tido como ilegal pela ordem jurídica democrática, transmitindo de forma permanente uma mensagem de reprovação oficial", continua o órgão.

Ainda, o MPF requer a realização de um curso que aborde especificamente o caráter ilícito do golpe militar e apresente as conclusões da Comissão Nacional da Verdade sobre as violações de direitos humanos no período da ditadura militar.

O Tempo

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