SEGURANÇA PÚBLICA RJ

Quadrilhas usam olheiros em locais públicos para monitorar vítimas de roubo de ouro no Rio

Imagem de câmera de segurança registrando a aproximação de um suspeito em um supermercado no Recreio.
Eduardo Pedrosa Alves foi baleado durante uma tentativa de roubo de seu cordão de ouro no Recreio.

Esquema de monitoramento em supermercados visa o furto de joias, aproveitando a valorização do metal; uma vítima no Recreio foi baleada e perdeu órgãos após ataque.

A atuação de grupos criminosos focados no roubo de joias tem atingido um novo patamar de organização com o uso de olheiros em locais públicos para selecionar vítimas. O método, que transforma a rotina cotidiana de compras em um risco real, foi evidenciado após a divulgação de imagens exclusivas pelo RJ2.

Em um caso recente registrado no Recreio, na Zona Sudoeste, Eduardo Pedrosa Alves foi o alvo de um monitoramento minucioso. No mês passado, enquanto fazia compras em um supermercado, ele foi observado por um suspeito que identificou o uso de um cordão de ouro. As imagens mostram o criminoso fixando o olhar no pescoço da vítima e fazendo uma ligação para coordenar a ação dos comparsas.

Pouco tempo depois, a abordagem ocorreu no estacionamento. Durante o assalto, Eduardo entrou em luta corporal e foi baleado na barriga. O episódio, que gerou revolta familiar, resultou na perda de um rim e parte do pâncreas da vítima, que permanece no CTI em quadro estável. A filha, Priscilla Piffer, expressou o temor de que a violência contra seu pai se torne apenas um número nas estatísticas policiais.

A investigação, conduzida pela 42ª DP (Recreio), avançou com a prisão em flagrante de Anderson Mateus dos Santos no dia seguinte ao crime. Ele é apontado como o responsável pelo monitoramento inicial e já possuía diversas anotações criminais. A polícia segue em diligências para capturar os responsáveis pelos disparos, que teriam fugido em direção a São Gonçalo.

O aumento nos casos, impulsionado pela valorização do grama do ouro, forçou joalherias a alterarem suas práticas de segurança. Estabelecimentos têm adotado estratégias para proteger o cliente, incluindo o uso de embalagens discretas, sacolas sem identificação e serviços de entrega domiciliar para evitar que consumidores saiam dos pontos de venda ostentando mercadorias. Em unidades localizadas na Zona Sul, as medidas incluem rígidos protocolos de acesso com portas blindadas e reforço de vigilância.

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