ESCÂNDALO FINANCEIRO

Publicitário de Flávio Bolsonaro é citado em ataques ao BC

Marqueteiro de Flávio é citado em plano de ataques ao BC | notícias do rio grande do norte Marcelo Lopes
Marcelo Lopes, publicitário envolvido em projeto de ataques ao Banco Central.

Marcello Lopes nega participação em “Projeto DV” que mirava o Banco Central, mas investigação revela Pix de R$ 650 mil e depoimentos contraditórios.

O publicitário Marcello Lopes, figura-chave na comunicação da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro, foi envolvido em um esquema polêmico de ataques ao Banco Central do Brasil e seus servidores. A revelação veio à tona nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, através de uma reportagem da Folha de S.Paulo, que detalhou a inclusão do nome de Lopes no “Projeto DV”, supostamente idealizado pelo empresário Daniel Vorcaro. A iniciativa, que visa descredibilizar a autarquia após decisões desfavoráveis ao Banco Master, levanta sérias preocupações sobre a integridade de instituições públicas e a influência de interesses privados na esfera política e econômica.

Segundo a Folha de S.Paulo, o nome e a fotografia de Marcello Lopes — conhecido em Brasília como Marcelão — aparecem em uma apresentação do “Projeto DV”, atribuído a Daniel Vorcaro. O material o identifica como integrante da “equipe de estrategistas” da iniciativa que buscou minar a confiança no Banco Central do Brasil.

Marcelão, contudo, nega veementemente qualquer participação na campanha. Ele afirma que jamais foi consultado sobre o uso de seu nome e expressou “surpresa e indignação” ao descobrir sua inclusão nos documentos. O publicitário explicou que Thiago Miranda, apontado como o responsável pelo projeto, o abordou sobre um “projeto grande”, mas que ele declinou a oferta devido a uma viagem aos EUA, que o manteria ausente entre 24 de dezembro e o início de fevereiro.

O nome de Marcello Lopes figura ao lado de Thiago Miranda e Anderson Nunes na documentação do projeto. Miranda, por sua vez, prestou depoimento à Polícia Federal na terça-feira, 12 de maio de 2026, no âmbito da investigação em andamento.

A reportagem da Folha de S.Paulo também revelou um comprovante de transferência via Pix no valor de R$ 650 mil, realizada por Thiago Miranda para Marcello Lopes em 13 de dezembro. Dois dias depois, a agência Unltd Network recebeu outros R$ 400 mil, valores que coincidem com o período de estruturação do projeto de ataques. Marcelão justificou o recebimento como pagamento de dívidas antigas por serviços de publicidade e consultoria, mas alegou cláusulas de confidencialidade para não detalhar clientes ou apresentar contratos.

Thiago Miranda, no entanto, confirmou tanto o pagamento quanto a inclusão do nome de Marcello Lopes no projeto. Ele alegou que o objetivo era conferir maior credibilidade à proposta: “Eu paguei para o Marcelão para poder segurar que ele realmente me ajudasse no projeto, porque ele tem um nome muito forte, então ele daria peso para o meu projeto.” Miranda ainda adicionou que Marcello Lopes teria se desligado da iniciativa após cerca de três semanas, alegando conflito de interesses ao saber que o trabalho era para o Banco Master. Ele afirmou que o valor foi posteriormente devolvido, embora não tenha fornecido data ou comprovação documental.

Em uma justificação adicional, Thiago Miranda sugeriu que a prática de incluir nomes de profissionais em propostas sem sua participação efetiva seria comum no mercado publicitário, para “deixar o projeto mais robusto” e competitivo em licitações.

A Unltd Network admitiu ter atuado como fornecedora terceirizada da Mithi entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, mas negou qualquer relação comercial direta com o Banco Master ou Daniel Vorcaro.

A investigação da Polícia Federal aponta que o Banco Central do Brasil tornou-se alvo de uma campanha coordenada após rejeitar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília e decidir pela liquidação da instituição financeira. A PF identificou cerca de 40 perfis de influenciadores digitais que, supostamente, foram contratados para disseminar ataques contra o BC e o ex-diretor da autarquia, Renato Gomes. Os pagamentos relacionados ao projeto somaram R$ 8 milhões, todos operacionalizados pela agência Mithi, segundo a Folha de S.Paulo.

Amigo pessoal de Flávio Bolsonaro, Marcello Lopes é proprietário da Cálix Propaganda e ex-policial civil do Distrito Federal. Ele está previsto para deixar a empresa até o início de junho, a fim de assumir oficialmente a coordenação da comunicação da campanha presidencial do senador, um papel que abrangerá redes sociais, rádio, televisão e assessoria de imprensa. Este novo desdobramento adiciona uma camada de complexidade à reputação do publicitário e ao cenário político em que ele está inserido.

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