INVESTIGAÇÃO DE VÍNCULOS
PT pede apuração de elo entre aliados de Flávio Bolsonaro e Comando Vermelho
Documento protocolado na PF cita nomes como "Índio do Lixão" e "Dudu", além de ex-integrantes do governo do Rio, em suposta rede ligada à facção criminosa.
O deputado Alencar Santana (PT-SP) protocolou, nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, uma notícia de fato na Polícia Federal solicitando a apuração de possíveis relações entre pessoas ligadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e membros do Comando Vermelho. O documento foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
A petição cita reportagens que apontam um "circuito de intermediação" envolvendo a facção criminosa, agentes públicos, ex-agentes, assessores e operadores políticos ligados ao senador. Entre os nomes mencionados estão Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, apontado como integrante do Comando Vermelho, e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o “Dudu”, ex-assessor de TH Joias.
Também são citados o ex-secretário estadual de Esportes, Alessandro Pitombeira Carracena, e o ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca. Segundo o documento, mensagens obtidas em investigações da PF indicariam tratativas para reuniões com agentes públicos, pedidos de favores e tentativas de nomeações em estruturas do Estado do Rio de Janeiro.
Gutemberg Fonseca, identificado nas conversas como “Guto”, é descrito como um aliado político próximo de Flávio Bolsonaro. O texto da notícia de fato questiona se essa proximidade foi utilizada para garantir acesso, influência política ou proteção a interesses ligados ao Comando Vermelho.
A petição também destaca a prisão de Alessandro Carracena na operação Anomalia, que apura um esquema de venda de influência política para o crime organizado. Reportagens citadas na petição indicam que a PF identificou repasses de mais de R$ 90.000 do Comando Vermelho ao ex-secretário.
Alencar Santana sugere que os fatos podem configurar crimes como organização criminosa, corrupção, tráfico de influência, advocacia administrativa, prevaricação e lavagem de dinheiro. O pedido inclui a instauração de inquérito policial ou o aditamento de investigações já em curso, solicitando diligências como preservação de provas digitais, análise de mensagens, rastreamento financeiro e levantamento de agendas de órgãos estaduais.
O deputado também requisita que a PF comunique imediatamente a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal caso surjam elementos envolvendo autoridades com foro privilegiado. O documento alega a existência de “elementos públicos, objetivos e verificáveis” que justificariam a abertura de uma investigação.
A Polícia Federal informou que não confirma nem comenta eventuais apurações em andamento. A assessoria de Flávio Bolsonaro declarou em nota que “em mais de 500 anos de Brasil, não há um único boletim de ocorrência ou processo que corrobore a tese do PT” e que a família Bolsonaro “não compactua com facções ou grupos armados e criminosos”. A nota também criticou o PT, acusando o partido de “desperdiçar valiosos recursos públicos com uma mentira” e de tentar desviar o foco de supostas relações do governo Lula com grupos criminosos.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário