INVESTIGAÇÃO ABALA PT

PT defende Jaques Wagner, mas desconfiança cresce nos bastidores do partido

Senador Jaques Wagner (PT-BA) em pose oficial.
Senador Jaques Wagner (PT-BA) é alvo de operação da Polícia Federal.

Enquanto a cúpula do partido defende publicamente o senador Jaques Wagner (PT-BA) após operação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master, conversas reservadas revelam receio e pedidos de explicação.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, manifestou nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, que o senador Jaques Wagner (PT-BA) é um "depositário" de toda a "confiança" do partido. Silva assegurou que a inocência do parlamentar será comprovada. A declaração pública surge em resposta à deflagração de uma operação pela Polícia Federal (PF), que teve Wagner como alvo, no âmbito de investigações ligadas ao Banco Master.

Contudo, as informações obtidas pela jornalista Clarissa Oliveira, do CNN Prime Time, indicam um cenário distinto nos corredores do partido. Nos bastidores, a apreensão é palpável. Segundo apuração da CNN, o próprio Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria entrado em contato com Wagner, não apenas para oferecer suporte, mas para solicitar esclarecimentos sobre as investigações que o envolvem.

Além do Presidente, outras lideranças do PT também buscaram explicações, embora sob sigilo. Figuras públicas, como o ministro Dario Durigan, pronunciaram-se em defesa do senador. No entanto, as conversas privadas expõem uma desconfiança que se aprofunda.

Uma fonte próxima a Lula confidenciou a Clarissa Oliveira que o clima de tensão em torno de Jaques Wagner já se manifestava anteriormente, após surgirem especulações sobre supostos pagamentos realizados à nora do parlamentar. "Desde aquela história sobre a nora dele já havia um clima meio tenso dentro do partido por conta dessa história. E agora realmente o quadro parece um pouco mais complicado", relatou o interlocutor.

Outro líder proeminente do PT, em comentário reservado, traçou um paralelo importante. Segundo essa mesma fonte, "ninguém vai acusar Jaques Wagner antes da hora" e ele terá espaço para apresentar sua defesa. Contudo, a ressalva foi clara: "Uma coisa é um líder do PT ou um dirigente do partido se ver envolvido em alguma grande polêmica, algum grande escândalo, quando ele está representando um projeto partidário e está fazendo o nosso projeto. Outra coisa é receber vantagens pessoais. Se o caso for este, eu me sinto totalmente desobrigado de fazer qualquer defesa de Jaques Wagner, pouco importa a história dele dentro do PT."

Clarissa Oliveira aponta que ainda é prematuro determinar se o PT e Lula estão convencidos pelas explicações de Wagner. No entanto, uma conclusão parcial se desenha: a decisão de não afastar o senador imediatamente após a conversa com Lula concedeu a ele uma "sobrevida". A estratégia atual é aguardar o desenrolar das investigações antes de se tomar qualquer medida mais drástica.

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