EMPREGOS E DESENVOLVIMENTO
Psol critica atraso e Paulino lança plano econômico para o Estado
Economista e professor universitário detalha propostas de industrialização, reflorestamento e educação em entrevista em 04 de maio de 2026.
O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo Psol, Robério Paulino, criticou duramente o modelo econômico do Estado e propôs um plano robusto para impulsionar a industrialização e a produção local, visando transformar a realidade social e gerar empregos. As declarações foram feitas em entrevista à TV Tropical nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, onde ele apontou a dependência de poucos setores e a estagnação como obstáculos à dignidade e ao futuro dos potiguares.
Economista formado pela USP e professor da UFRN, Robério Paulino desafiou a visão tradicional de desenvolvimento. Ele argumentou que focar apenas na atração de empresas externas não é a solução para um crescimento sustentável que beneficie a todos. “Muita gente pensa em desenvolver a economia apenas atraindo empresas. A minha lógica como economista é diferente. O segredo dos países desenvolvidos não é apenas depender de empresas que vêm de fora, é construir suas próprias empresas”, enfatizou o professor.
Para ilustrar seu ponto, Paulino citou exemplos de potências globais. “Estados Unidos, países europeus, Japão, Coreia do Sul e agora a China desenvolveram suas economias com base na construção de suas próprias indústrias”, observou, indicando um caminho que o Rio Grande do Norte também poderia seguir para gerar mais oportunidades e riqueza internamente.
Ao abordar a realidade local, o pré-candidato destacou um paradoxo que impacta diretamente a população. “Você sabia que a gente perde mais de 50% da nossa safra de manga podre no chão? Por que não industrializar isso? Depois falta merenda escolar. Não pode”, questionou, evidenciando o desperdício de recursos que poderiam alimentar e empregar. Ele também criticou a importação de produtos básicos. “Nós importamos água sanitária. Água, sal e barrilha. Por que não produzir isso aqui?”, indagou, reforçando o potencial de ampliação da produção interna. Segundo Paulino, há um vasto leque de possibilidades: “Eu poderia dar 100, 200 exemplos de coisas que nós poderíamos estar produzindo aqui.”
Robério Paulino defendeu que o Rio Grande do Norte deve ir além de sua base econômica atual. “O Estado não precisa ser só de turismo, só de sal ou só de petróleo, que está declinando. Nós podemos industrializar o Estado para criar milhares de empregos”, projetou. Ele mostrou confiança em sua capacidade de liderar essa transformação: “Eu sei como fazer isso e vou trazer soluções concretas para esse debate.”
Além da economia, Robério Paulino destacou a urgência da pauta ambiental. “O planeta está pegando fogo, os polos estão derretendo, o nível do mar está subindo”, alertou. Ele chamou atenção para os riscos no semiárido potiguar: “Nosso sertão está virando deserto.” Como medida essencial, anunciou um plano ambicioso de reflorestamento. “Nós estamos com um plano muito forte de plantar milhões de árvores no nosso estado”, detalhou, visando proteger a natureza e a qualidade de vida.
Na área da educação, o pré-candidato classificou a situação como profundamente preocupante. “Um de cada oito potiguares ainda é analfabeto. Isso é uma vergonha”, lamentou. Para reverter esse cenário, propôs um mutirão ousado para erradicar o analfabetismo. “Quero fazer um grande mutirão com professores e alunos da UFRN, do IFRN, das universidades particulares, como a UNP e a UNI-RN, para acabar com isso em no máximo dois anos”, prometeu, vislumbrando um futuro com mais acesso ao conhecimento.
Paulino também criticou os baixos indicadores educacionais do Estado. “O Rio Grande do Norte tem um dos piores índices do Ideb do País. Nós estamos na faixa de nota de 3 a 3,5, enquanto estados vizinhos como Ceará, Paraíba e Piauí já estão em torno de 4,5”, comparou, ressaltando a disparidade. Ele defendeu a ampliação do ensino em tempo integral como chave para a melhoria. “Estados que têm mais educação em tempo integral têm Ideb maior. O Ceará está com quase 70%, enquanto o Rio Grande do Norte está em torno de 30%, ou menos”, analisou.
No campo político, Robério Paulino esclareceu a gênese e o posicionamento do Psol. “O Psol nasceu por discordar do rumo que o PT tomou”, afirmou, pontuando a reforma da Previdência de 2003 como um marco divisório. Ele reconheceu suas próprias críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas estabeleceu um contraste claro com a direita. “Você pode ter críticas ao Lula, nós do Psol também temos, mas o problema é que Bolsonaro é mil vezes pior”, declarou, posicionando o partido no espectro político.
Ao avaliar a gestão estadual da governadora Fátima Bezerra (PT), Robério Paulino fez um balanço misto. “O governo fez muita coisa positiva, mas também deixou muito a desejar. Por isso resolvemos lançar a candidatura”, concluiu, justificando sua decisão de se apresentar como alternativa para o eleitorado potiguar.
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