CRISES NA SAÚDE
Protesto com 100 cruzes cobra respostas sobre mortes nas UTIs do Hospital da Criança
Manifestantes ocupam a entrada da unidade em São Luís exigindo transparência após denúncias de precarização no atendimento e falhas técnicas na gestão do IBMED.
Mais de 100 cruzes foram instaladas em frente ao Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, em São Luís, nesta quinta-feira, 16/07/2026. A manifestação, organizada por conselheiros tutelares e familiares de pacientes, busca pressionar as autoridades por esclarecimentos sobre o alto número de óbitos registrados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas ao longo de 2025.
As denúncias que motivaram o ato apontam para 113 mortes infantis registradas na unidade durante o ano passado, sendo que 101 desses óbitos ocorreram especificamente nas UTIs. O cenário de insegurança das famílias agravou-se após a transição da gestão para o Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED), ocorrida em 13 de outubro de 2025, mediante contrato firmado com a Prefeitura de São Luís.
Investigações conduzidas pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), pelo Ministério Público Federal (MPF), pela Defensoria Pública do Estado e pela Polícia Civil buscam determinar se houve falhas na assistência médica e precarização das escalas de trabalho. Relatos indicam uma redução drástica no contingente de profissionais após a entrada da nova gestora, além de questionamentos sobre a qualificação técnica dos plantonistas.
A situação ganhou urgência após inspeções técnicas realizadas no início desta semana. Na quarta-feira, 15/07/2026, a Defensoria Pública identificou a presença de profissionais sem especialização em pediatria e uma equipe considerada insuficiente para a demanda da unidade. O defensor público Davi Veras destacou que tais achados corroboram alertas feitos ainda em 4 de agosto de 2025, quando a Secretaria Municipal de Saúde foi notificada sobre divergências entre o edital e a necessidade real de suporte aos leitos.
Em paralelo, o Ministério da Saúde realizou uma auditoria emergencial na terça-feira, 14/07/2026. A equipe do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) analisou prontuários e contratos para verificar se a mudança no formato de gestão comprometeu a segurança dos pacientes. O relatório final, que deve ser apresentado nos próximos dias, será fundamental para definir se a prefeitura deverá implementar um plano de emergência ou se as irregularidades configuram negligência administrativa e médica.
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