IA DEVOLVE AUTONOMIA

Projeto brasileiro com IA devolve voz e carreira a pacientes com ELA

Cientistas trabalhando em um projeto de inteligência artificial avançada.
Projeto ExtensIA usa IA para preservar e ampliar o conhecimento de profissionais com doenças neurodegenerativas.

Iniciativa inovadora utiliza inteligência artificial para preservar e ampliar o conhecimento de profissionais com doenças neurodegenerativas, como a ELA. Projeto já beneficia renomada psiquiatra.

Um projeto brasileiro inédito, que emprega inteligência artificial (IA), promete restaurar a voz, a autonomia e até mesmo a carreira de pessoas diagnosticadas com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A iniciativa surge em um momento crucial, quando o Brasil marca o Dia Nacional de Luta Contra a Esclerose Lateral Amiotrófica neste domingo, 21 de junho de 2026.

A ELA é uma doença neurodegenerativa rara que impõe a perda progressiva dos movimentos, afetando funções vitais como a fala, a deglutição e a respiração. Para muitos, o avanço da condição significa um afastamento precoce da vida profissional, acadêmica e social, impactando diretamente a dignidade e o bem-estar.

Contudo, uma abordagem inovadora desenvolvida no país abre um novo caminho: a IA assistiva de alta complexidade. O projeto ExtensIA vai além da comunicação, focando na preservação da produtividade intelectual, científica e profissional de indivíduos com capacidades cognitivas preservadas.

Fruto de uma colaboração entre a Fundação Unimed e a startup WorkAI, o ExtensIA utiliza IA para manter, expandir e perpetuar o conhecimento de profissionais acometidos por doenças neurodegenerativas que afetam os movimentos.

Um dos primeiros estudos de caso é o da psiquiatra Maria Inês Quintana, reconhecida como uma das maiores especialistas brasileiras em transtorno de personalidade borderline. Diagnosticada com ELA há quase três anos, ela perdeu totalmente a mobilidade, mas sua mente permanece ativa. Com o suporte da tecnologia, Maria Inês conseguiu retomar suas atividades profissionais.

Mesmo com o corpo imobilizado, Maria Inês voltou a lecionar, ministrar palestras e compartilhar seu vasto conhecimento com médicos e estudantes. A ExtensIA representa um avanço significativo na aplicação da inteligência artificial para garantir a continuidade da carreira e da produção intelectual.

Para Maria Inês, a tecnologia assegura que sua trajetória acadêmica e clínica não seja interrompida pela ELA. Ela, que é professora afiliada do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, coordenadora de pesquisa do Ambulatório de Transtornos da Personalidade e coordenadora do curso de pós-graduação em Saúde Mental da Faculdade Unimed, já utilizava tecnologias assistivas como o Tobii Communicator para comunicação por meio do movimento ocular. O projeto ExtensIA agora potencializa essa autonomia.

O projeto, com investimento estimado em R$ 5 milhões, encontra-se em fase beta. Seguros Unimed, Unimed Campinas e Unimed-BH são os investidores. A expectativa é que a tecnologia seja aplicada em breve a outras pessoas que perderam a mobilidade, mas mantêm as funções cognitivas intactas.

O sistema desenvolvido pela WorkAI opera em três frentes integradas, combinando ciência médica, engenharia de dados e IA avançada:

  • **Agente Clínico Assistivo:** Um conjunto de IAs treinadas com o acervo intelectual de Maria Inês, acumulado ao longo de mais de 30 anos de carreira.
  • **Avatar Digital Palestrante:** Desenvolvido a partir da imagem e voz originais da psiquiatra, o avatar pode ministrar aulas e palestras de forma assíncrona nos idiomas português, inglês e espanhol.
  • **Sistema Multiagente Coordenador:** Integrado aos sistemas educacionais da Faculdade Unimed, este sistema de agentes de IA auxiliará em tarefas como organização curricular e análise de ementas.

A Fundação Unimed, através de seu Instituto de Ciência e Tecnologia e da Faculdade Unimed, lidera a coordenação científica e institucional. "O ExtensIA integra ciência, tecnologia, mas, principalmente, o cuidado com as pessoas. A iniciativa apresenta uma nova forma de compreender, preservar e compartilhar o conhecimento humano, mesmo diante das limitações impostas por doenças irreversíveis", afirma o professor Dr. Fábio Gastal, psiquiatra e diretor acadêmico da Faculdade Unimed.

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